Forças de Ouattara ameaçam com ofensiva iminente a Abidjan

Estima-se que mil pessoas tenham morrido em meio a confrontos na Costa do Marfim

BBC Brasil |

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O primeiro-ministro nomeado pelo presidente internacionalmente reconhecido da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, afirmou que é hora de realizar uma "rápida ofensiva" contra a principal cidade do país, Abidjan. Guillaume Soro fez a afirmação após dias de batalhas entre forças de Outtara e forças leais a seu adversário, Laurent Gbagbo, que se recusa a deixar a Presidência.

Segundo ele, dias de confrontos disseminaram "pânico" entre tropas leais a Gbagbo. Soro afirmou que a população precisa "confiar" nas forças de Ouattara. Horas antes, a ONU exortou Ouattara a investigar denúncias de que centenas de pessoas teriam sido mortas por seus partidários na cidade de Duekoue na semana passada. Estima-se que ao menos mil marfinenses tenham morrido em meio a confrontos de forças rivais. Militares leais a Ouattara negaram um massacre.

Soldados da força de paz da ONU no país estão protegendo dezenas de milhares de civis, que buscaram refúgio no complexo de uma igreja do local. A ONU reconheceu Ouattara como presidente após o segundo turno das eleições presidenciais, em novembro, mas Gbagbo diz ter vencido o pleito, e se recusa a deixar o poder.

Batalha em Abidjan

Enquanto isso, Abidjan vem sendo palco de intensos confrontos. No sábado, as forças de Ouattara assumiram o controle da maior parte dos prédios públicos. O aeroporto, que vinha sendo dominado por forças da ONU desde sexta-feira, está agora sob controle de soldados franceses, que permitiram sua reabertura.

Segundo relatos, a ONU está evacuando cerca de 200 funcionários de Abidjan. Mas uma TV pró-Gbagbo pediu aos moradores que se mobilizem contra o que chamou de “ocupação” francesa. Também há relatos de que as forças de Ouattara planejam atacar o palácio presidencial e estão impondo um toque de recolher na cidade.

Duekoue

A violência em Duekoue ocorreu na semana passada, quando forças leais a Ouattara se moveram para o sul, expulsando tropas de Gbagbo. Ambos os lados acusam o outro pelo massacre. Funcionários da ONU ainda estão investigando o caso e dizem que a quantidade de mortos pode ser maior. A agência humanitária Caritas estima que mil pessoas tenham morrido na cidade.

O porta-voz das Forças Armadas francesas Thierry Burkhard disse que o país enviou mais 300 soldados à Costa do Marfim, elevando o total das forças francesas para 1.400.

O objetivo do reforço é “assumir o controle do aeroporto, o que também foi feito em coordenação com a missão da ONU, para permitir a reabertura desse aeroporto para empresas aéreas civis e voos militares”, disse ele à BBC.

Burkhard acrescentou que a missão principal da força permanecia proteger cidadãos franceses, que vinham sendo ameaçados por saqueadores. “Estamos atualmente vivenciando em Abidjan um vácuo de segurança porque as forças de segurança marfinenses, que até agora seguiam ordens de Gbagbo, responderam em grande medida a convocação do presidente Ouattara”, disse ele.

Não havia planos imediatos para evacuar estrangeiros, disse ele, embora cerca de 1.600 estejam abrigados num campo militar francês. Eles incluem cerca de 700 franceses, 600 libaneses e 60 europeus de várias nacionalidades, segundo a imprensa francesa. Acredita-se que as forças de Outtara dominem 80% do país. Muitos militares trocaram de lado e passaram a apoiar o presidente reconhecido.

Gbagbo, porém, ainda teria o apoio da Guarda Republicana, das forças especiais e de milícias armadas.
Vários organismos internacionais já pediram que Gbagbo deixe poder, incluindo a ONU, a Ecowas (bloco das nações do oeste da África) e a França. Desde que a crise começou na Costa do Marfim, a violência forçou o deslocamento de 1 milhão de pessoas, segundo a ONU.

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