Forças da ONU no Haiti enfrentam indignação por suposto estupro

O presidente do país caribenho condena o caso de abuso sexual contra um adolescente haitiano envolvendo militares uruguaios

iG São Paulo |

O presidente do Haiti, Michel Martelly, condenou o suposto caso de abuso sexual contra um adolescente haitiano envolvendo militares uruguaios da ONU, em comunicado divulgado no domingo. "A Presidência condena veementemente esse ato que revoltou a consiência da nação e aguarda um relatório detalhado estabelecendo os fatos e as circunstâncias exatas".

A indignação pública na nação caribenha, assolada por um terremoto no ano passado, tem aumentado por causa de um vídeo feito por uma câmera de celular que está circulando na internet, mostrando representantes das tropas do Uruguai segurando um jovem de 18 anos com o rosto virado para o colchão e, aparentemente, assediando a vítima sexualmente, em uma cidade no sul do país.

Autoridades haitianas, a Missão da ONU no Haiti e o Ministério da Defesa do Uruguai lançaram uma investigação sobre o vídeo. Os cinco soldados suspeitos de envolvimento foram detidos e a Marinha uruguaia substituiu o chefe do contingente naval da missão de paz. A vítima e sua mãe prestaram depoimento sobre o suposto ataque a um juiz haitiano em Port-Salut.

A porta-voz da missão, Eliane Nabaa, reconheceu que a acusação pode causar prejuízo na relação entre os "capacetes azuis" e o povo haitiano. "É lamentável. Isso pode impactar nossa relação com os haitianos. Não podemos tolerar. Isso é muito sério. Pode impactar centenas, milhares de pessoas que têm feito um trabalho maravilhoso aqui", afirmou.

Ela considerou também que a ONU reagiu rapidamente às acusações de abuso assim que tomou ciência do caso, na última semana. "A ONU tem uma política de tolerância zero com casos de exploração e abuso sexual", disse Nabaa. De acordo com ela, as acusações são "muito sérias" e devem ser levadas à Justiça.

O Uruguai tem 1.200 militares servindo na missão. Na última semana, o ministro da Defesa uruguaio, Eleuterio Fernandez Huidobro, classificou o caso como "aberrante". O governo uruguaio também determinou uma investigação, que irá averiguar ainda possíveis casos de haitianas grávidas de "capacetes azuis".

O caso pode aumentar a tensão entre os haitianos e as forças de paz. No ano passado, a ONU foi alvo de vários protestos durante a epidemia de cólera que matou cerca de 6 mil pessoas no país. Na ocasião, os representantes do Nepal foram acusados de disseminar a doença.

A atual missão de paz da ONU no Haiti, conhecida como a Minustah, e comandada por forças brasileiras, foi criada pelo Conselho de Segurança da ONU em 2004 e está ajudando a polícia haitiana a manter a segurança no instável país caribenho, tendo atuado especialmente durante as eleições, que foram marcadas por fraude e violência.

Martelly, que venceu as eleições em março, reconheceu que o Haiti ainda necessita das forças de paz, mas pediu uma redefinição do papel das tropas estrangeiras no futuro e na criação de uma força de segurança haitiana que poderá assumir as funções mais adiante.

* Com BBC e Reuters

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