O presidente da Venezuela Hugo Chávez acusou as Forças Armadas da Bolívia de fazerem greve o que teria permitido, na opinião do presidente, um massacre do povo boliviano na escalada de violência dos últimos dias na Bolívia que já deixou pelo menos 16 mortos. As afirmações de Chávez são uma resposta às críticas do comandante das Forças Armadas, general Luis Trigo, que na sexta-feira rejeitou as declarações do presidente venezuelano.

Na véspera, Chávez advertiu que apoiaria uma rebelião armada no país, caso a oposição tente "derrubar" ou "matar" o presidente da Bolívia, Evo Morales.

"Eu sei que esse general e outros generais têm uma espécie de greve de braços caídos que permitiu que os fascistas e paramilitares massacrassem ao povo da Bolívia", disse Chávez.

"E se estou equivocado general, me demonstre o contrário, apóie ao presidente da Bolívia e não aos paramilitares (...) me demonstre o contrário general e terás minha mão de soldado, falo de soldado a soldado", acrescentou.

O presidente venezuelano diz ter informações de que "capangas" estrangeiros estão sendo contratados para assassinar aos simpatizantes de Morales nos enfrentamentos com os grupos de oposição.

Ingerência
Na sexta-feira, o general Luis Trigo, defendeu a "independência" dos militares bolivianos e a "não intromissão" estrangeira na Bolívia, fazendo referência direta à Chávez.

O presidente venezuelano disse que a resposta do general "não foi consultada" com Morales, seu principal aliado na América do Sul.

"General Trigo, o senhor tem razão, eu não devo me meter nas coisas internas da Bolívia, mas que bom seria escutar o senhor dizer algo sobre a ingerência grosseira e terrível do império americano no seu país", afirmou o presidente venezuelano diante de militares das Forças Armadas da Venezuela.

Chávez disse que na reunião extraordinária da Unasul, convocada para esta segunda-feira em Santiago do Chile, os países deverão tomar ações "para frear o fascismo" na Bolívia.

"Eu disse a um presidente amigo: estão derrubando Evo (Morales) diante de nossos narizes e (...) vamos ficar de braços cruzados?", disse Chávez.

'Braços cruzados'
O líder venezuelano voltou a dizer que "não cruzará os braços" no caso de um golpe de Estado.

"Não queremos meter-nos na situação interna de nenhum país, mas se derrubam ou matam a Evo (Morales), não ficarei de braços cruzados", acrescentou.

O presidente venezuelano disse se a oposição conseguir manter os bloqueios e sabotagens às instalações de gás, haverá uma "crise" no Cone Sul.

"Brasil, Argentina, Chile (...) para poder acender as luzes e acionar os motores das fábricas e indústrias dependem do gás da Bolívia. Os ianques estão machucando o coração da América do Sul, alguém não se deu conta?", disse.

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