Forças afegãs atiram para dispersar protesto em defesa do Alcorão

Pelo menos 35 policiais e 10 manifestantes ficaram feridos em protesto antiamericano na capital do Afeganistão, Cabul

iG São Paulo |

A polícia afegã fez disparos para o alto para dispersar milhares de manifestantes antiamericanos nesta quarta-feira em Cabul, disseram testemunhas e policiais. Pelo menos 35 policiais e 10 manifestantes ficaram feridos, disse o porta-voz do Ministério do Interior, Zemarai Bashary. Fontes de um hospital disseram que pelo menos dois deles tinham ferimentos de disparos.

AFP
Polícia afegã persegue homens que gritam slogans antiamericanos durante protestos a oeste de Cabul
Aos gritos de "Morte à América", "Morte aos cristãos" e "Morte ao (presidente Hamid) Karzai", os afegãos realizaram o maior protesto desde o início da crise desencadeada por um pastor evangélico dos EUA, que havia ameaçado queimar exemplares do Alcorão para marcar o aniversário dos ataques do 11 de Setembro, que foi cancelado .

"Há mais de 10 mil manifestantes e alguns deles estão agitando a bandeira do Taleban", disse o policial Mohammad Usman. A TV Reuters mostrou vários manifestantes com enormes bandeiras brancas, símbolo usado por seguidores do Taleban.

O protesto ocorre três dias antes de uma eleição parlamentar que o Taleban promete prejudicar. A votação serve de teste para a estabilidade do Afeganistão, o que pode se refletir na revisão estratégica de dezembro nos planos de guerra dos EUA no país.

No fim de semana, três pessoas já havia morrido durante manifestações contra o pastor Terry Jones , que pretendia queimar exemplares do livro sagrado do islamismo num protesto contra o terrorismo.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taleban, disse que o grupo está a par dos protestos, mas não tem envolvimento neles. "As pessoas podem ter levantado as bandeiras do Taleban para mostrar seu sentimento e simpatia pelo grupo", disse Mujahid à Reuters, falando de um local não revelado.

Na Ponte de Kandahar, em Cabul, a polícia recebeu ordens de avançar contra um grupo de centenas de manifestantes que atiravam pedras e se dirigiam aos policiais, chamando-os de "escravos dos americanos."

Policiais foram vistos disparando para o alto e removendo vários manifestante do local. Os participantes do protesto acabaram se dispersando, e vários deles se refugiaram em casas do bairro, habitado principalmente por membros das etnias pashtun e tadjique.

Antes disso, os manifestantes haviam se reunido na zona oeste da capital, queimando pneus e bloqueando a principal estrada que dá acesso ao sul. Uma espessa fumaça negra se erguia na região, e a polícia manteve os jornalistas a uma distância de centenas de metros.

Testemunha da Reuters no local viram duas pessoas inconscientes, cobertas de sangue, sendo retiradas após aparentemente terem sido baleadas.

Protestos na Caxemira indiana

Na segunda-feira, protestos contra a Índia e pelo Alcorão deixaram 18 mortos na Caxemira indiana, território majoritariamente muçulmano abalado por um movimento de protesto contra o governo central. A violência, a pior desde o início de protestos separatistas há três meses, aconteceu em parte por informações no canal estatal Press TV do Irã de que o Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, foi profanado durante o fim de semana nos EUA.

AP
Garoto da Caxemira participa de protesto em Srinagar, Índia (13/09/2010)
Apesar do pastor da Flórida ter cancelado seu plano de queimar 200 exemplares do Alcorão para marcar o 11 de Setembro, o canal mostrou um vídeo de um homem não identificado destruindo o livro sagrado, em um insulto grave aos muçulmanos, que acreditam que o Alcorão é a palavra literal de Deus.

Nesta quarta, a violência da Caxemira indiana chegou a outras áreas e deixou mais quatro manifestantes mortos e 25 ficaram feridos. A polícia abriu fogo contra manifestantes em Mendhar, na região de Jammu, majoritariamente hindu, a 80 km de Srinagar, principal cidade da Caxemira indiana.

Nos últimos três meses, 91 pessoas morreram nas manifestações, que alguns analistas chegam a comparar com a intifada palestina.


*Com Reuters, AP e AFP

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