Força militar é insuficiente no Afeganistão, diz chefe da Otan

Bruxelas, 18 dez (EFE).- O conflito no Afeganistão, que entrou em 2008 em seu sétimo ano, não será vencido pela força militar, afirmou hoje o comandante supremo da forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa, o general americano John Craddock.

EFE |

Em uma conversa com um grupo de jornalistas, o principal responsável das forças da Aliança Atlântica no Afeganistão considerou fundamental seguir mantendo no país um "enfoque global" que combine o esforço militar com o civil.

"O conflito do Afeganistão não será vencido pela força militar." Nós militares "estabelecemos as condições de segurança para que os outros elementos, políticos, diplomatas, econômicos e sociais, atuem e possam fornecer bom Governo, reconstrução, desenvolvimento, emprego e oportunidades para o povo afegão".

Trata-se de "uma tarefa compartilhada, global, militar e civil", insistiu Craddock, acrescentando que as tropas internacionais permanecerão "até que as forças afegãs possam liderar as operações, manter o território e tomar o bastão" da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf).

Na sua opinião, esse momento poderia chegar "por volta de 2012", se o atual ritmo de recrutamento, treinamento e equipamento tanto do Exército quanto da Polícia afegãos forem mantidos.

O general confirmou que nos últimos meses registrou-se um aumento da atividade e dos combates, sobretudo no leste e no sul do país, por várias razões.

Primeiro, porque "há mais tropas em mais áreas" e, segundo, pela capacidade dos insurgentes talibãs de ir e vir de seus "santuários" ao outro lado da fronteira paquistanesa.

No entanto, afirmou que a coordenação nas regiões fronteiriças entre as forças afegãs, as paquistanesas e a Isaf "está melhorando".

Houve a abertura de um primeiro centro fronteiriço de coordenação que permite aos três exércitos compartilhar informação sobre os movimentos insurgentes. No futuro, anunciou Craddock, haverá seis desses centros, três no lado paquistanês e três no afegão.

O comandante supremo da Otan para a Europa (Saceur) reiterou que ainda há "grandes lacunas" para cobrir na lista de requerimentos para a Isaf.

Ele insistiu especialmente na necessidade de helicópteros, que considera fundamentais "em um cenário como este", meios de reconhecimento, equipes médicas e tropas em algumas províncias.

Segundo o general, italianos e espanhóis mostraram recentemente "certa flexibilidade" em relação a suas contribuições, mas não tenha fornecido detalhes sobre o assunto.

Craddock não quis em nenhum momento quantificar o número de soldados que ainda faltam, e se limitou a destacar algumas capacidades deficitárias, funções ou áreas geográficas onde, segundo ele, a Isaf tem que reforçar sua presença.

Em relação à possibilidade de uma transferência de meios e experiências militares do Iraque ao Afeganistão, caso ocorra a retirada gradativa americana, o comandante da Otan recomendou cautela.

"Muito se aprendeu no Iraque, mas temos que ter muito cuidado na hora de transferir essas lições ao Afeganistão. A situação do país, as condições, as circunstâncias políticas são muito diferentes".

"A Isaf e os comandantes regionais têm que examinar cuidadosamente se a experiência é transferível".

Para Craddock, a saída para o Afeganistão continuará sendo "manter um enfoque global", o que significa combinar o esforço militar com o civil.

Nós "militares podemos limpar as áreas, não há nenhum problema nisso, mas devemos manter uma presença segura, seja das forças afegãs ou da Isaf, a fim de que depois possa ocorrer o trabalho de reconstrução e desenvolvimento".

E para "limpar, conservar e construir", a Otan necessita dispor de "um nível suficiente de forças". EFE jms/ab/jp

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