A Força Aérea Britânica (RAF, na sigla em inglês) cancelou nesta quinta-feira voos de treino depois que depósitos de cinzas vulcânicas foram encontrados em motores de quatro aeronaves. A frota de aeronaves do modelo Typhoon estava estacionada na base da RAF em Coningsby, região de Lincolnshire.

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Um porta-voz da RAF afirmou que os Typhoons "são jatos de performance altíssima" então os militares "apenas estão tomando mais cuidado".

De acordo com o repórter da BBC, Richard Scott, a Autoridade de Aviação Civil britânica destacou que aviões militares voam muito mais rápido do que os aviões civis e sugam mais ar do que estas aeronaves.

Mas, a autoridade também afirmou que a ordem de retomada dos voos civis permanece e que não há informações de danos a aeronaves de passageiros devido às cinzas.

A medida foi tomada pelos militares num momento em que o caos aéreo provocado pelas cinzas do vulcão da geleira de Eyjafjallajokull esta semana gerou uma troca de acusações e críticas entre autoridades, cientistas e companhias aéreas da Europa.

Entidades que controlam o tráfego aéreo na Europa afirmam que o tráfego está chegando a 90% do normal, apesar de milhares de britânicos, por exemplo, ainda estarem em trânsito, lentamente voltando para casa depois dos dias de suspensão de voos.

As companhias aéreas estão buscando uma compensação financeira pelos custos da crise, argumentando que não foram responsáveis pelo caos aéreo. Além disso, algumas empresas reclamam que a decisão de se fechar o espaço aéreo por tanto tempo teria sido errada.

A agência de aviação da Europa, a Eurocontrol, divulgou nesta quinta-feira que cerca de 28 mil dos 29 mil voos previstos para o dia devem ser confirmados.

O vulcão na geleira de Eyjafjallajokull, na Islândia, continua em erupção, mas ele está apenas jorrando lava e parou de expelir cinzas.

Custos
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, em inglês) estima que as companhias aéreas perderam US$ 1,7 bilhões com o que seria a maior crise do setor desde a Segunda Guerra Mundial.

"Para uma indústria que perdeu US$ 9,4 bilhões no ano passado e estava prevendo perder mais US$ 2,8 bilhões este ano, esta crise é arrasadora", disse o diretor-geral da Iata, Giovanni Bisignani.

"Eu sou a primeira pessoa a dizer que esta indústria não quer nem precisa ser resgatada [pelo governo]. Mas esta crise não é resultado de estarmos administrando mal os nossos negócios. Os governos deveriam ajudar as companhias aéreas a recuperar o custo com este problema."
Algumas companhias aéreas também exigem mudança nas regras europeias de proteção ao consumidor, que as obrigam a fornecer hospedagem e refeições a passageiros que não conseguem embarcar.

Michael O'Leary, presidente da Ryanair, que opera voos com baixos preços, disse que é um "absurdo" que sua empresa tenha que gastar centenas de euros com um consumidor que pagou pouco pelas suas passagens.

A Ryanair decidiu apenas reembolsar os passageiros afetados com o valor da passagem, mas não está pagando hospedagem nem refeição, contrariando as regras europeias.

"Nós esperamos vê-los [os passageiros] na Justiça, porque sinceramente eu acho que esta é uma grande oportunidade para as companhias aéreas exporem esta bobagem", disse.

Espaço aéreo
Outra motivo de troca de acusações foi a decisão dos governos de fechar o espaço aéreo, considerada exagerada por algumas companhias aéreas.

"Eu acho que se eles [os governos] tivessem enviado aviões imediatamente para avaliar se as cinzas eram realmente perigosas demais, ou para buscar corredores onde a nuvem não estivesse muito densa, acho que estaríamos operando voos muito antes", disse o presidente da companhia aérea Virgin, Richard Branson, à BBC.

O ministro britânico dos Transportes, Andrew Adonis, disse que as autoridades internacionais de segurança aérea foram cautelosas demais. O secretário, no entanto, afirmou que foram necessários alguns dias de testes para que se pudesse determinar se era seguro voar em algumas regiões.

O Comissário Europeu de Transportes, Siim Kallas, negou que a União Europeia tenha demorado para atender aos pedidos por reabertura do espaço aéreo, afirmando que vidas estavam em risco no caso.

O presidente da Sociedade Europeia de Vulcanologia, Henri Gaudru, disse que havia poucas alternativas ao fechamento do espaço aéreo.

"Isso não foi um exagero. Nós não sabemos o suficiente sobre essas nuvens e sobre o que pode acontecer com aviões que passam por elas", disse Gaudru.

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