Pequim, 15 mai (EFE).- O vice-governador da província chinesa de Sichuan, Li Chengyun, confirmou hoje a morte de 19.

509 pessoas vítimas do terremoto de 7,8 graus na escala Richter que aconteceu na última segunda, mas outras instâncias oficiais estimam que o número total de mortos ultrapasse os 50 mil.

A última contagem aumenta em mais de 5 mil o número oficial de vítimas mortais do forte tremor de terra registrado na segunda-feira e suas posteriores réplicas, segundo Li.

As autoridades provinciais conseguiram convencer 10 mil sobreviventes do terremoto a não deixarem a região após rumores de que as fontes de água de Chengdu, capital de Sichuan, foram contaminadas após o terremoto.

Os responsáveis da área de segurança pública de Chengdu desmentiram os rumores de que a Indústria Química Número 1 de Dujiangyan, localidade devastada pelo tremor, explodiu durante a catástrofe e começou a emitir gases letais, de modo que a água potável da capital estaria contaminada, o que causou pânico entre a população.

O Governo chinês também fez hoje um pedido público de emergência para conseguir aparelhos de detecção de movimento humano, martelos e pás para ajudar no resgate das vítimas do terremoto, o pior das últimas três décadas na China.

Os 130 mil militares e as forças de segurança que trabalham atualmente na região atingida pelo abalo sísmico usam as próprias mãos para revirarem os escombros sob os quais milhares de vítimas continuam presas.

Parte das tropas tenta consertar os danos provocados em 391 represas e reservatórios em Sichuan, dois deles bem grandes.

O ministro de Recursos Hidrográficos da China, Chen Lei, disse hoje que é de vital importância prevenir desastres secundários e controlar possíveis inundações em represas, usinas hidrelétricas e diques.

Os perigos potenciais nas instalações podem ser confirmados por fotos tiradas por satélite, disse Chen, que destacou que a hidrelétrica de Zipingpu, próxima ao epicentro do terremoto, apresentava "um grande perigo", segundo informação da agência oficial "Xinhua", mas que está segura após ter sido reparada hoje.

As autoridades chinesas disseram que, "a cada instante", recebem doações para aos atingidos pelo terremoto que já somam US$ 100 milhões.

A China considera que não precisa de especialistas estrangeiros para trabalhos de resgate e de ajuda humanitária, mas insiste em pedir doações monetárias e materiais.

Esta é uma mensagem parecida com a dada pela Junta Militar de Mianmar, país arrasado pelo ciclone "Nargis", que deixou pelo menos 32 mil mortos e 34 mil desaparecidos, segundo informações oficiais birmaneses, mas organizações internacionais calculam em 1,5 milhão o número de desabrigados.

"Sentimos em nosso coração o sofrimento de Mianmar, país vizinho e irmão, e esperamos que a comunidade internacional possa ajudar respeitando seu desejo", declarou o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores da China, Qin Gang.

"O Exército ajuda o povo", disse ontem a emissora estatal chinesa "CCTV" ao mostrar imagens de soldados distribuindo comida e garrafas de água.

O Governo chinês confirmou que aceita a entrada de uma equipe de resgate do Japão na região da província de Sichuan.

O anúncio acontece após a bem-sucedida visita do presidente da China, Hu Jintao, ao Japão, que poderia ser o primeiro país cujo pessoal é aceito para colaborar com as Forças Armadas chinesas nos trabalhos de ajuda e resgate.

Apenas alguns americanos que estudam ou trabalham em Sichuan foram aceitos para ajudarem o pessoal chinês, informou a estatal "CCTV", que publicou suas fotografias em um hospital improvisado na localidade de Beichuan.

Por outro lado, a Comissão de Regulamentação Bancária da China (CBRC, em inglês) ordenou hoje que os bancos abram uma via "verde" para receberem as doações em dinheiro para a ajuda humanitária e de socorro às vítimas do terremoto registrado em Sichuan na última segunda.

Os bancos também deverão eliminar as despesas bancárias de transferência das somas recebidas, simplificar os trâmites de recepção do dinheiro e distribuir cada centavo para seu objetivo, segundo o comunicado divulgado no site da CBRC.

O portal do Ministério do Comércio chinês anunciou a promessa de US$ 50 milhões em dinheiro e US$ 10 milhões em material de emergência procedente da Arábia Saudita.

Também foi divulgado hoje que a Alemanha anunciou uma primeira entrega de 500 mil euros ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para ser entregue ao Governo chinês. EFE pek/wr/fal

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