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Fome e nervosismo aumentam no Haiti por causa da passagem de Hanna

Porto Príncipe, 5 set (EFE).- Milhares de haitianos sofreram com a fome e o desespero hoje quando a tempestade tropical Hanna passou por seus povoados isolados, matando pelo menos 136 pessoas.

EFE |

Os organismos de socorro nacionais e internacionais dedicam todos os seus esforços para levar ajuda humanitária aos desabrigados por causa do fenômeno, que segundo cálculos são mais de 650 mil, muitos deles sendo crianças que sofrem com a falta de água e comida.

No entanto, levar algum tipo de ajuda humanitária por estrada às vítimas da cidade de Gonaives (norte) ou para algumas áreas do sul, é quase impossível.

Em Gonaives, onde foi declarado na quinta-feira o estado de emergência, falta comida, não há gás de cozinha e a pouca gasolina que resta é vendida em galões nas ruas a um preço muito elevado, porque os sete postos da cidade sofreram danos por causa de "Hanna".

Também não há energia elétrica, por isso várias emissoras tiveram hoje que suspender suas respectivas programações.

O panorama é desolador e muitas pessoas estão desesperadas principalmente em Gros-Morne, um pouco mais ao norte de Gonaives, porque não podem ligar para seus familiares nem circular pelas inundadas ruas da cidade para saber de seus parentes.

Em Gonaives, que ficou completamente inundada pelas chuvas e tem uma população de aproximadamente 150 mil habitantes, são calculados 120 mil desabrigados, segundo a Cruz Vermelha, e há apenas 100 refúgios habilitados.

Uma situação parecida é vivida no departamento sul, onde as chuvas persistem, como declarou o responsável pela Defesa Civil na região Renan Valliere, que contabilizou 6.035 as famílias prejudicadas e 5.400 as pessoas transferidas para albergues provisórios.

O funcionário informou à imprensa que as autoridades e várias ONGs realizam esforços para levar comida à região, mas insistiu que passam por dificuldades devido às chuvas contínuas.

A diretora do organismo, Alta Jean-Baptiste, disse hoje que a situação no sul é bastante complicada porque sete cidades permanecem incomunicáveis devido às inundações, o que impossibilita a chegada dos caminhões com comida e água para os afetados.

O panorama é mais ameno na capital, Porto Príncipe, onde as chuvas pararam nas últimas horas e as atividades comerciais voltaram praticamente ao normal.

O Ministério das Finanças local ofereceu hoje oito milhões de gourdes (US$ 210.526) para ajudar as vítimas de Gonaives e cinco milhões mais (US$ 131.578) para as obras de infra-estruturas afetadas por "Hanna".

Já a organização humanitária Oxfam Internacional, alertou sobre os problemas de escassez de água e alimentos e as condições sanitárias "extremamente preocupantes" de alguns pontos do Haiti depois da passagem da tempestade tropical "Hanna".

Em uma nota enviada à Agência Efe, a Oxfam assinala que se calcula em 650 mil os desabrigados e que o número de corpos certamente vai aumentar quando o nível das águas nas amplas áreas inundadas do país baixar.

O número total de mortos em menos de duas semanas no Haiti subiu para 215, já que o furacão "Gustav" deixou 79 vítimas, e o "Hanna" causou pelo menos 136, segundo os últimos dados oficiais.

Mais de 11 mil pessoas buscaram refúgio nos albergues temporariamente habilitados em Gonaives, onde foi registrada a maioria dos mortos, declarou Oxfam, que destacou a situação crítica que a população de Ennery - cidade vizinha - também vive.

"Falta comida, a água e outras provisões básicos. As condições sanitárias são extremamente preocupantes, pois os dejetos humanos são jogados nas águas paradas, que já estão contaminadas pelos restos de animais mortos", disse.

A preocupação aumenta no país caribenho à espera das conseqüências que poderia ser gerada pelo poderoso furacão "Ike", de categoria 3 na escala Safir-Simpson, que vai até 5, que se aproxima em direção ao Mar Caribe. EFE mf/bm/ma

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