Fome e Aids são duplo golpe contra a África, diz ONU

Por Pascal Fletcher DACAR (Reuters) - Uma crise alimentar duradoura e o aumento nas taxas de infecção de Aids na África formam uma parceria mortal que destrói vidas e enfraquece as economias do continente mais pobre do mundo, alertaram especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) na sexta-feira.

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Essa combinação deve se agravar ainda mais com a crise econômica global, que pode reduzir as doações para melhorar a nutrição e a saúde, levando milhões de africanos a mais a um ciclo autoperpetuador de pobreza, doença e morte.

"O (aumento no) preço dos alimentos no começo do ano e agora a crise econômica, isso é enorme...a urgência para agir agora é muito maior", disse o chefe de Política Nutricional e HIV/Aids do Programa Alimentar Mundial (PAM), da ONU.

Ele e a vice-diretora executiva do PAM, Sheila Sisulu, disseram que o duplo impacto da desnutrição crescente e de doenças como HIV/Aids e tuberculose é mais devastador na África, onde a pobreza e a insegurança alimentar são disseminadas e a Aids é a maior causa de morte prematura.

"O que vem se delineando em termos de crise financeira não pode ser subestimado", disse Sisulu, nos bastidores de uma conferência sobre a Aids em Dacar, no Senegal.

Famílias pobres africanas rurais e urbanas cuja dieta não provê os nutrientes suficientes por causa de conflitos, desastres naturais ou do alto preço dos alimentos têm tido um enfraquecimento em seu sistema imunológico.

Isso os torna mais vulneráveis ao HIV/Aids e à tuberculose. As mortes por doença de chefes de família ou de membros da força de trabalho drenam a força econômica das casas das famílias e de economias inteiras, afirmou Bloem.

Ele citou estatísticas recentes mostrando taxas de morte "semelhantes a de guerra" entre mulheres entre 15 e 45 anos na África do Sul, a potência econômica regional, o que mostra a necessidade de estratégias integradas de saúde e nutrição.

Agências da ONU dizem que, embora o preço dos alimentos tenha caído de forma acentuada dos picos alcançados no começo do ano, ele ainda está acima dos níveis de dois anos atrás e tem levado milhões de pessoas a mais para a pobreza, que agora precisam de ajuda.

Bloem e Sisulu afirmaram que iniciativas para combater a epidemia de HIV/Aids africana não devem se concentrar apenas no tratamento médico isolado, mas devem também tentar melhorar o já deficiente consumo nutricional das famílias africanas mais pobres.

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