Fome atingiu 130 milhões a mais em 2007, dizem EUA

Por Christopher Doering WASHINGTON (Reuters) - Os alimentos e o petróleo mais caros empurraram mais 133 milhões de pessoas para o grupo dos que passam fome em 2007, afirmou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que mudou sua previsão sobre a falta de comida nos próximos dez anos, apostando agora no agravamento do problema e não mais em sua diminuição.

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A Avaliação sobre Segurança Alimentar, um relatório anual do USDA, disse que o número de pessoas 'sem garantia de ter alimentos' em 70 países em desenvolvimento cresceu para 982 milhões em 2007, de 849 milhões no ano anterior.

A quantidade de pessoas com dificuldade para obter comida poderia crescer para 1,2 bilhão em 2017, advertiu o órgão, revertendo a previsão do ano passado sobre a possibilidade de a fome diminuir nos próximos dez anos em todas as regiões do planeta com exceção da África subsaariana.

O USDA define como 'insegurança alimentar' ter dificuldade em adquirir comida suficiente para alimentar a família ao longo do ano.

'Até a próxima década, a desaceleração da economia global deve combinar-se com a alta do preço dos combustíveis e dos alimentos contribuindo para a deterioração atual da segurança alimentar no mundo', disse o USDA.

'Isso terá um impacto particularmente negativo nos países em desenvolvimento que já se incluem entre os mais problemáticos nessa questão --os da África subsaariana.' Entre esses estão a Etiópia, a Eritréia, o Sudão e Moçambique.

Os preços do trigo, do milho, da soja e do arroz dispararam para patamares recordes nos últimos meses em meio a safras ruins em várias partes do planeta e à demanda crescente de economias emergentes por biocombustíveis e produtos alimentícios.

Em todo o mundo, a elevação do preço dos alimentos provocou o cancelamento de exportações, o aumento das filas para obter alimentos gratuitamente e distúrbios violentos provocados pela falta de comida.

Os países pobres mostram-se especialmente suscetíveis à elevação do preço dos alimentos porque grande parte do orçamento familiar nessas economias costuma estar comprometido com gastos em comida.

Segundo o USDA, a comida pode responder por mais da metade de um orçamento familiar em alguns países.

O órgão norte-americano disse que a distribuição mundial de ajuda na forma de alimentos enfrentava dificuldades. Entre 2004 e 2006, o volume de alimentos doados caiu para cerca de 7,4 milhões de toneladas, uma queda de 25 por cento).

A elevação do preço dos alimentos e do custo dos transportes levou os EUA, o maior doador de comida do mundo, a diminuir esse tipo de remessa em cerca de 50 por cento nos últimos cinco anos.

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