Fome atinge mais de 1 bilhão; ONU adverte sobre catástrofe

Por Silvia Aloisi ROMA (Reuters) - A alta nos preços dos alimentos levou mais 105 milhões de pessoas a passarem fome na primeira metade de 2009, disse a chefe do Programa Alimentar Mundial (PAM) da Organização das Nações Unidas (ONU) na sexta-feira, fazendo o número total de famintos aumentar para mais de 1 bilhão.

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Exortando os países ricos a não cortarem a ajuda humanitária, Josette Sheeran disse que o mundo está diante de uma catástrofe humana enquanto mais pessoas têm dificuldade em conseguir uma refeição satisfatória.

"Este ano registramos em média quatro milhões de novas pessoas com fome por semana, urgentemente famintas", disse Sheeran à Reuters.

"Nos primeiros seis meses deste ano, 105 milhões de pessoas foram acrescentadas", afirmou ela, citando números a serem divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) na semana que vem que elevarão o total de pessoas subnutridas para mais de 1 bilhão.

Em 2008, a FAO disse que a fome no mundo atingia 963 milhões de pessoas.

A PAM precisa de 6,4 bilhões de dólares este ano para auxílio alimentar, mas as contribuições dos doadores despencaram --o programa tinha por volta de 1,5 bilhão de dólares no final da semana passada.

A agência diz que teve de cortar a distribuição de alimentos e fechou algumas operações no leste da África e na Coréia do Norte por causa da crise de crédito.

"Eu sei que parece um número grande, mas se você comparar com o pacote de estímulo global, significa que com menos de 1 por cento daquilo poderíamos ajudar a evitar a crise humana urgente que está se desenvolvendo, e isso também é essencial à estabilidade do mundo", afirmou Sheeran.

Ela disse que, apesar da redução na maioria dos preços de alimentos desde o ano passado, eles ainda permanecem altos nos países em desenvolvimento, enquanto a assistência alimentar está na maior baixa em 20 anos.

A crise financeira agravou a situação e, em termos de alimentos básicos, as pessoas nos países mais pobres atualmente podem arcar com apenas um terço do que podiam comprar três anos atrás.

Numa declaração após dois dias de reunião em Roma, os ministros do Desenvolvimento do G-8 reafirmaram seu compromisso em honrar as promessas de ajuda humanitária.

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