Foguetes do Líbano atingem Israel; agência da ONU suspende ajuda

Por Nidal al-Mughrabi GAZA (Reuters) - Israel levou adiante sua ofensiva contra militantes do Hamas na Faixa de Gaza na quinta-feira, em meio a críticas graves feitas pela Cruz Vermelha, segundo a qual Israel está atrasando seu acesso a feridos.

Reuters |

Devido a "riscos impostos pelas forças israelenses no território", a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta a suspensão de suas operações na Faixa de Gaza.

Foguetes disparados desde o Líbano feriram levemente duas pessoas no norte de Israel e provocaram temores passageiros de que combatentes do Hezbollah estivessem abrindo uma segunda frente, para aliviar a pressão sobre a Faixa de Gaza. Mas um ministro do gabinete israelense atribuiu os disparos a grupos palestinos no Líbano.

O apoio dos EUA a uma proposta de trégua formulada pelo Egito vem intensificando as pressões sobre Israel para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, onde o número de baixas aumenta.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, administrado pelo Hamas, avaliou em 707 o número de mortos palestinos desde o início da investiga de Israel, em 27 de dezembro, e disse que pelo menos 3.000 pessoas ficaram feridas.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que concorda com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quanto às condições para um cessar-fogo, mas nem Israel nem o Hamas até agora concordaram quanto aos detalhes.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o objetivo do governo, de que "a calma reine suprema" no sul de Israel, ainda não foi alcançado. Uma decisão sobre ações militares adicionais "ainda resta para ser tomada", ele teria dito no sul do país, segundo seu gabinete.

Onze israelenses morreram nos últimos 13 dias, oito deles soldados, incluindo quatro mortos por fogo "amigo".

Segundo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), seus funcionários encontraram quatro crianças à beira da morte por inanição escondidas com pelo menos 12 corpos na Faixa de Gaza, numa casa situada a 80 metros de uma posição militar israelense.

Entre os mortos na casa, encontrados deitados sobre colchões, estavam as mães das crianças, disse o CICV.

Em casas vizinhas no bairro devastado de Zeitoun, na Faixa de Gaza, a equipe encontrou outros três corpos e 15 sobreviventes, incluindo vários que estavam feridos, disse a organização com sede em Genebra.

No norte de Israel, a polícia disse que um dos três foguetes disparados desde o Líbano abriu um rombo no telhado de um lar para idosos na cidade de Nahariya, onde duas pessoas ficaram feridas. Num primeiro momento, o ataque suscitou temores de que o Hezbollah fosse responsável.

Mas um ministro sênior do gabinete israelense atribuiu os disparos a grupos palestinos no Líbano. "São incidentes isolados", disse Rafi Eitan no Canal 2 israelense. "Já prevíamos isso."

O Exército de Israel, que em 2006 travou uma guerra de 34 dias com guerrilheiros xiitas do Hezbollah, respondeu com apenas alguns disparos de artilharia. Não houve relatos de baixas no Líbano.

BOMBARDEIO PESADO

Moradores de Gaza descreveram um bombardeio durante a noite a leste da cidade como sendo o mais pesado até agora. No sul do território, segundo testemunhas, tanques avançaram em direção à cidade de Khan Younis.

Israel voltou a suspender brevemente sua ofensiva na quinta-feira, para permitir que os moradores da Faixa de Gaza estocassem suprimentos de que necessitam urgentemente. O Exército fez uma pausa semelhante de três horas na quarta-feira.

Com o presidente dos EUA, George W. Bush, e o eleito para sucedê-lo Barack Obama falando sobre a necessidade de paz, autoridades disseram que Israel mandou um enviado ao Cairo para discutir como poderia ser implementado o plano egípcio de cessar- fogo.

Isso pode levar vários dias. Por enquanto, os comandantes militares israelenses parecem estar determinados a manter a pressão em campo, mesmo que o gabinete tenha adiado uma decisão sobre uma possível nova fase da ofensiva, na qual seriam atacados militantes nas cidades da Faixa de Gaza.

Autoridades do Hamas disseram que o grupo ainda estuda o plano egípcio, mediado com a ajuda da França.

Governos europeus se ofereceram para apoiar a proposta do Cairo com o envio de uma força da União Européia para a fronteira de Gaza com o Egito, para impedir o Hamas, que assumiu o controle da Faixa de Gaza em 2007, de rearmar-se através dos túneis cavados sob a fronteira.

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