Foguete da Coreia do Norte provoca constrangimento e críticas internacionais
Governo reconhece falha em polêmico lançamento em meio à operação de propaganda em torno do líder Kim Jong-un
A governo da Coreia do Norte admitiu que o polêmico foguete lançado na quinta-feira (horário de Brasília) não conseguiu entrar em órbita, reconhecendo um constrangedor fracasso em meio a uma operação de propaganda em torno do líder Kim Jong-un. O lançamento foi condenado pela comunidade internacional, que duvidou do caráter pacífico do foguete e disse se tratar de um teste de míssil balístico.
Em reunião de emergência nesta sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU divulgou um comunicado no qual "deplorou" o lançamento do foguete e segundo o qual os membros continuarão fazendo consultas sobre uma "resposta apropriada". A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, se recusou a especular se essa resposta incluiria uma nova rodada de sanções.
Leia também: ‘O mundo deve parar de dar ajuda ao povo na Coreia do Norte’, diz ativista
Os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão anunciaram o fracasso do lançamento poucos minutos após ele ocorrer. O reconhecimento da falha pela Coreia do Norte aconteceu cerca de quatro horas depois, em um anúncio transmitido pela TV estatal.
O problema com o foguete é um constrangimento para o governo norte-coreano, que tinha anunciado o lançamento como um avanço científico e uma homenagem ao primeiro presidente do país, Kim Il-sung, dois dias antes da data em que se comemora seu centenário de nascimento.
Antes, ele já havia sido nomeado membro da direção do Politburo (birô político) do Comitê Central e primeiro-secretário do Partido dos Trabalhadores, o que por sua vez o transformou automaticamente em presidente da Comissão Militar Central da formação.
Apesar de falho, o lançamento foi condenado por vários países. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o lançamento viola a resolução 1874 do Conselho de Segurança que proíbe este tipo de teste.
"Apesar de seu fracasso, o lançamento do chamado 'dispositivo satélite' pela República Democrática Popular da Coreia em 13 de abril de 2012 é deplorável, uma vez que desafia a posição firme e unânime da comunidade internacional", disse Ban, em comunicado.
Com AP e Reuters