Foguete atinge Israel no momento em que Bush fala de otimismo

O presidente George W. Bush se deparou com uma situação tensa entre israelenses e palestinos pouco depois de sua chegada a Jerusalém, nesta quarta-feira, em uma visita na qual pretende reafirmar sua esperança em um acordo de paz apesar do pessimismo geral.

Redação com AFP |

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Bush e premiê israelense Ehud Olmert conversam em Jerusalém
"Os Estados Unidos se manterão firmemente ao lado de Israel e dos palestinos que não partilham da visão" do Hamas, movimento islâmico que controla a Faixa de Gaza desde meados de junho de 2007, declarou o presidente Bush que faz sua segunda visita a Israel desde 9 de janeiro.

"O objetivo dos Estados Unidos deve ser apoiar nosso maior aliado e amigo no Oriente Médio, e ao mesmo tempo de expressar esperança no futuro", declarou Bush, que veio assistir às comemorações do 60º aniversário de criação de Israel e participar dos esforços para a conclusão de um acordo de paz com os palestinos.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos querem "seguir trabalhando por uma visão" que garantirá às pessoas "sensatas" que desejam viver em paz com Israel "a chance" de fazê-lo, disse o presidente americano no início de uma reunião com o presidente israelense Shimon Peres.

"Ele está mais otimista do que eu esperava; ele está otimista, determinado e amigável, como sempre", elogiou Peres, pouco depois do encontro, quando Bush iniciava discussões com o primeiro-ministro Ehud Olmert.

Antes do fim do mandato de Bush, em janeiro de 2009, "é possível chegar a uma situação que reforçará a paz", disse Peres.

Comemorações em Israel

Em Israel para participar das celebrações do 60º aniversário do Estado hebreu e tentar convencer israelenses e palestinos a concluir um acordo de paz antes do final de seu mandato, em janeiro de 2009, ele considerou a democracia israelense um modelo para o Oriente Médio.

Mas enquanto Bush expressava seu otimismo, um foguete lançado a partir da Faixa de Gaza atingiu um centro comercial em Ashkelon (sul de Israel), deixando 14 feridos, três em estado grave, segundo os serviços de socorro israelenses.

Horas depois, dois ativistas do Hamas morreram e quatro ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra o leste da cidade de Gaza, segundo fontes médicas palestinas.

A Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e os Comitês de Resistência Popular (CRP) reivindicaram em comunicados este ataque, comemorado pelo braço militar do Hamas.

A Casa Branca condenou o ataque "terrorista".

"Está claro que estabelecer a paz ou ajudar as pessoas em Gaza a ter uma vida melhor não interessa ao Hamas", declarou o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.

"Israel não pode tolerar a manutenção dos ataques contra civis inocentes", disse o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert ao final de um encontro com Bush, pouco antes do ataque.

Olmert também lançou uma advertência ao afirmar que "espera" não precisar fazer uso de toda a força militar de Israel.

Reações indignadas

A participação de Bush nas celebrações dos 60 anos do Estado hebreu suscitou reações indignadas em meio aos palestinos e árabes israelenses.

Outros não manifestaram tanta alegria com a vinda do presidente americano à região. "Não desejamos as boas-vindas a Bush e aos presidentes hipócritas que querem agradar ao diabo americano", disse Mahmud Zahar, o mais influente dos líderes do Hamas em Gaza, durante uma cerimônia por ocasião da "nakba", a "catástrofe" que significou para os palestinos a criação de Israel, em 1948.

Os palestinos convocaram manifestações para quinta-feira em Gaza e na Cisjordânia para marcar a "nakba".

Em Teerã, o presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad considerou que a comemoração dos 60 anos de Israel constitui a comemoração "de um morto".

Momento conturbado

 visita de três dias de Bush a Israel, a segunda em quatro meses, não começou da melhor forma possível: as negociações estão em ponto morto, novas suspeitas de corrupção pesam sobre Olmert, ao que se soma a crise no Líbano.

Em Gaza, quatro palestinos, entre os quais três membros do Hamas, foram mortos na manhã desta quarta-feira durante operações do Exército israelense neste território, segundo os serviços de emergência palestinos.

Sobre os problemas de Olmert na justiça, Bush se mostrou prudente e ressaltou que as negociações são conduzidas por governos, não por pessoas.

"Consideramos a Terra Santa como um lugar muito especial, e os israelenses como amigos muito próximos", declarou Bush ao desembarcar no aeroporto Ben Gurion, perto de Tel Aviv.

Shimon Peres destacou que o presidente americano "sempre ficou do nosso lado, tanto nas manhãs ensolaradas quanto nas tempestades".

Ehud Olmert ainda qualificou a "aliança estratégica" de Israel com Washington de "pilar da nossa segurança nacional".

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