Militares e bomberos prosseguiam lutando contra os incêndios florestais que deixaram até o momento 131 mortos e um rastro de casas e corpos calcinados, além de localidades devastadas no sudeste da Austrália.

Os incêndios se transformaram nos mais mortíferos da história do país.

À tristeza causada pelo drama se somou a indignação quando a polícia revelou que alguns incêndios podem ser de origem criminosa. O primeiro-ministro Kevin Rudd acusou os autores de "assassinos em massa".

"Isto alcançou um nível de horror que poucos poderiam ter antecipado", afirmou Rudd.

O Parlamento suspendeu as atividades para marcar o que o premier classificou de "um dos dias mais negros" da Austrália em tempos de paz.

Os relatos da tragédia e o medo tomaram conta da população, enquanto as imagens das chamas dominam as primeiras páginas dos jornais e as imagens dos noticiários de TV.

Uma das sobreviventes da tragédia, Sonja Parkinson conta que achou que ia morrer ao lado do filho. Mas, graças a um refúgio, conseguiu se salvar, apesar de 32 pessoas terem morrido em sua cidade, Kinglake.

"As casas no meio do bairro estavam em chamas. Estava tudo escuro. Eu não conseguia ver nada", contou ao jornal The Australian.

Um total de 31 incêndios continuam ativos no estado de Victoria, sudeste, onde foram registradas todas as mortes, e várias localidades prosseguiam em alerta à medida que o fogo avança em consequência dos fortes ventos.

As chamas devastaram cerca de 3.000 km2, alimentadas pelas condições causadas pela prolongada onda de calor.

A polícia levantou um cordão de segurança em torno das zonas devastadas para tentar determinar se são obra de piromaníacos.

"Que se pode dizer de alguém que faz algo assim? Não há palavras para descrever isso, exceto assassinatos em massa", afirmou Rudd.

A polícia bloqueou a passagem dos veículos a Marysville, no nordeste de Victoria, e indicou que há muitos corpos espalhados pelas ruas, segundo a agência de notícias AAP.

Em uma casa da cidade mais afetada pelo fogo, Kinglake, norte de Melbourne, foram encontrados corpos calcinados de quatro crianças junto ao de um adulto.

Com Kinglake arrasada, os habitantes da cidade de Yackandandah, no nordeste de Victoria, observavam preocupados o rumo tomado pelos incêndios.

Muitos dos mortos foram vitimados dentro de seus carros quando tentavam fugir do avanço das chamas e outros morreram porque tentavam salvar suas casas.

Milhares de sobreviventes se encontram refugiados em prédios públicos e escolas.

Milhares de animais também estão morrendo nos incêndios.

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