FMI: economia mundial está no vermelho e G20 não faz o suficiente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou nesta quinta-feira que a economia mundial entrou no vermelho, com um PIB (Produto Interno Bruto) em queda pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, e que o G20 não faz o suficiente para conter esta crise.

AFP |

Menos de dois meses após a publicação de suas previsões, o FMI indicou em uma nota aos grandes países industrializados e emergentes de G20 que espera uma contração do PIB mundial de entre 0,5% e 1% em 2009.

O Fundo disse que esta deterioração da conjuntura justifica a adoção de novas medidas contra a crise no G20.

"É claro que as perspectivas estão piorando na medidas que avançamos, e parece que a recessão vai se prolongar mais do que o mundo previa", disse sob anonimato um responsável do FMI.

O último trimestre de 2008 foi particularmente catastrófico, com um recuo do PIB mundial de 5% em ritmo anual em relação ao anterior.

"E a conjuntura mundial continua se deteriorando ao mesmo ritmo deste trimestre, se tomarmos por base as estatísticas recentes da produção industrial, do ânimo das empresas e das famílias, e do comércio exterior", disse o responsável.

O ano em andamento deve ser o de uma "profunda em recessão" para os países industrializados, com um PIB em queda de 3,0% a 3,5%.

Nos Estados Unidos, a contração da atividade seria de 2,6%, e no Japão de 5,8%. Estes dois países correm um "risco elevado" de deflação, segundo o FMI. Na zona euro, este risco é "moderado", mas o PIB perdia 3,2%.

Nos países emergentes e em desenvolvimento, a previsão de crescimento também foi diminuída: será apenas de entre 1,5 e 2,5%, com alertas para uma forte desaceleração no Brasil.

A má saúde do setor financeiro provoca as mesmas preocupações.

"As interações negativas entre os setores real e financeiro se intensificaram. As condições de crédito continuam sendo gravemente afetadas e as incertezas que pesam sobre o balanço dos bancos continuam elevadas, comprometendo a volta da confiança dos mercados", constatou o responsável.

O Fundo indicou que cabe ao poder político reagir com mais vigor do que vem atuando. A instituição calculou que dentro do G20, seu objetivo de dedicar o equivalente a 2% do PIB a planos de retomada ainda não foi atingido.

"As respostas nacionais à crise mundial estão apenas começando. As medidas continuam sendo necessárias para restabelecer a estabilidade financeira", afirmou.

Este tema deve ser alvo de profundos desacordos no G20, dia 2 de abril, em Londres.

Diversos dirigentes europeus rejeitaram nesta quinta-feira os apelos do FMI para ampliar seus esforços de retomada orçamentária: o presidente o Eurogrupo Jean-Claude Juncker disse que a UE fez o que era necessário, e os ministros destacaram o papel protetor do modelo social europeu.

O FMI criticou esta análise. "Com certeza a Europa tem estabilizadores automáticos (as despesas de proteção social, que aumentam com a crise) muito importante, mas não é um bom argumento. Os europeus fizeram menos do que consideramos necessário", destacou o responsável.

Segundo ele, todos os países na Europa não podem fazer mais, alguns têm menos meios orçamentários que outros, mas alguns países na Europa deveriam fazer mais para contribuir a uma demanda sustentada em 2010.

A retomada do próximo ano deve ser muito lenta, com um crescimento entre 1,5% e 2,5% no mundo, e de 0% a 0,5% nos países industrializados, com as economias flertando com a recessão nos EUA, no Japão e na zona euro, segundo as previsões do FMI.

hh/lm

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