FMI diz que grave e longa recessão ameça os EUA

Washington, 2 out (EFE).- Depois de ter analisado os fatores responsáveis pela atual crise financeira nos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje para o elevado risco que os Estados Unidos enfrentam de entrar em uma profunda recessão.

EFE |

Embora o estudo incluído pelo FMI em seu último relatório semestral sobre as perspectivas econômicas mundiais se refira a conclusões extraídas de outros episódios de crise, seu conteúdo é uma clara advertência de que os EUA estão se encaminhando para uma profunda recessão.

"Alguns aspectos da atual situação nos Estados Unidos se parecem com episódios anteriores de tensão (...) relacionados ao setor financeiro, os quais foram seguidos por (períodos de) recessão", destaca a entidade multilateral de crédito no quarto capítulo do relatório, intitulado "Tensões financeiras e desacelerações econômicas".

"Ao comparar o atual episódio de tensão financeira com episódios anteriores, observa-se que persiste uma grande probabilidade de ocorrer uma forte desaceleração nos Estados Unidos", diz o relatório.

"A evolução dos preços dos ativos, o crédito agregado e o endividamento líquido das famílias nos Estados Unidos durante o atual episódio de tensão financeira parecem coincidir com episódios anteriores seguidos por recessões", acrescenta o documento.

Subir Lall, subdiretor do Departamento de Pesquisa do FMI, explicou que, para chegar a suas conclusões, o órgão estudou 113 episódios de turbulência financeira ocorridos em 17 países desenvolvidos durante os últimos 30 anos.

O especialista destacou que "nem todos os episódios de tensões financeiras terminaram em desacelerações econômicas ou depressões": "Na verdade, elas só ocorreram em metade dos episódios".

Porém, o FMI concluiu que, tomando como base eventos passados, "o atual episódio de tensão financeira é um dos mais intensos nos Estados Unidos e um dos mais extensos, já que afeta quase todos os países da amostragem".

O FMI também destacou que, embora nem todas as tensões financeiras terminem em recessões, "quando uma desaceleração ou uma recessão é precedida por tensões financeiras, sobretudo quando estas tensões se concentram no setor bancário, em geral esta desaceleração ou recessão é consideravelmente mais grave que as não antecedidas por tensões financeiras".

"Especificamente, as desacelerações ou recessões precedidas por tensões relacionadas com bancos tendem a pressagiar perdas acumuladas de produção duas ou três vezes maiores, e se estender de duas a quatro vezes mais", explicou Lall.

O especialista disse que as condições iniciais "são cruciais" para determinar se as tensões bancárias serão seguidas por uma recessão.

"Particularmente, a probabilidade de as tensões financeiras serem seguidas por uma desaceleração está relacionada ao aumento dos preços da habitação e ao crédito agregado no período anterior ao episódio de tensão financeira", disse o funcionário do FMI.

"Além disso, embora a maior dependência das entidades não financeiras em relação ao financiamento esteja vinculada a desacelerações mais agudas após um episódio de tensão financeira, a intensidade dos desequilíbrios financeiros no setor da habitação é essencial na hora de determinar se a desaceleração se transformará em uma recessão", acrescentou.

Entretanto, o FMI também demonstrou certo otimismo.

"Como fatores compensatórios que poderiam proporcionar certa margem de resistência, é possível mencionar a situação relativamente sólida dos balanços das empresas no começo da crise e a contundente política de distensão monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano", assegurou a entidade de crédito.

"Na zona do euro, os balanços relativamente sólidos das famílias oferecem certa proteção frente a uma desaceleração aguda, apesar dos significativos aumentos nos preços dos ativos e dos coeficientes de crédito registrados antes da atual turbulência financeira", acrescentou. EFE crd/sc

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