FMI defende intervenção para impedir recessão

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a maior parte das economias dos países avançados está ou estagnada ou à beira da recessão, mas que para impedir que a crise se agrave é preciso adotar medidas intervencionistas, como as que tem sido tomadas pelo governo americano. É essa a opinião de John Lipsky, o vice-diretor do FMI, que realizou uma palestra, nesta quinta-feira, na sede do instituto de pesquisas Center for Strategic and International Studies (CSIS), em Washington, O ex-economista-chefe do banco Chase Manhattan Bank avalia que medidas como as operações de resgate ao banco Bear Stearns, às gigantes hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac e à seguradora AIG foram necessárias.

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Ele ainda afirmou que possivelmente será preciso que novas ações de caráter semelhante sejam tomadas para assegurar a liquidez do sistema financeiro.

Estas práticas parecem, em princípio, pouco condizentes com as normas do próprio fundo, conhecido pelas duras receitas neo-liberais que recomendava para nações em desenvolvimento em décadas passadas.

Intervenção
No entender de Lipsky, uma ''recessão global perigosa'' pode ser evitada, mas para prevenir uma crise de proporções semelhantes à atual, é preciso uma intervenção pública ''mais sistemática''.

O diretor do fundo é a favor, inclusive, da criação de um órgão regulador por parte do governo americano que absorveria os créditos podres de grandes instituições financeiras.

A proposta de estabelecer um órgão nessa linha está sendo levantada pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.

Para Lipsky, a crise atual começará a ser gradualmente contornada a partir de meados de 2009. O diretor do fundo se diz ''cautelosamente otimista'', inclusive em relação à crise por trás da atual mazela econômica, a do mercado imobiliário.

Luz no fim do túnel
Ele acredita que o setor verá ''a luz no fim do túnel durante o ano de 2009''.

O economista se defende de críticas de que representantes do setor financeiro e o próprio FMI não foram capazes de antever a atual crise.

''Quando a bolha da internet estourou, todos diziam: 'Como é que eles puderam ter sido tão estúpidos e equivocados? Como é que eles não previram isso?'.''
Mas de acordo com Lipsky, a despeito dos excesos que levaram à onda de quebradeiras que se viu no período ocorrido entre 1995 e 2001, quando várias empresas faliram, o período também permitiu uma série de avanços em diferentes setores.

''A tecnologia teve um impacto na economia? Ela foi uma força para o bem? Hoje em dia, é fácil olhar para trás e dizer como todos fomos tolos. Todas as inovações são testadas, mas nem todas passam no teste.''

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