FMI: bancos devem fazer um saneamento para acelerar reativação econômica

A reativação econômica não vingará se os bancos não se desfizerem de seu ativos podres, advertiu nesta segunda o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), acrescentando que o protecionismo de alguns países pode frear a volta à normalidade.

AFP |

"A reativação não se tornará realidade até que os balanços dos bancos não esteja saneados e isso não foi ainda completamente concluído", afirmou Dominique Strauss-Kahn, na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC), que organiza em Genebra uma conferência de dois dias sobre a ajuda ao comércio.

"Falta muito por fazer. A recuperação virá antes ou depois, em função do saneamento dos balanços no setor bancário", afirmou Strauss-Kahn.

Os bancos sofreram uma da piores crises desde o final da Segunda Guerra Mundial com a explosão da bolha especulativa financeiras em setembro de 2008, arrastando alguns estabelecimentos à falência como o banco americano Lehman Brothers.

Mas sua recuperação - um imperativo para a normalização, como afirmou recentemente Banco de Pagamentos Internacionais (BPI) - não é o único obstáculo que resta por salvar.

As medidas protecionistas que foram tomadas para paliar os efeitos da crise também correm o risco de atrasar a recuperação econômica que as grandes organizações internacionais prognosticam como muito em breve para o próximo ano.

"Os países desenvolvidos utilizaram subvenções para seus setores em dificuldades, enquanto que os países em desenvolvimento aumentam de forma seletiva suas barreiras alfandegárias", estimou o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, advertindo que algumas das medidas de estímulo introduzidas por diferentes governos para ajudar as indústrias mais afetadas pela crise poderão se descontrolar em função do crescente desemprego.

Zoellick citou como exemplos onde ocorre uma perigosa tendência crescente de protecionismos países como os Estados Unidos e o China.

"Os líderes governamentais devem entender que estão brincando com fogo", alertou.

Segundo BPI, os programas conjutais adotados desde o início da crise econômica e financeira de setembro de 2008 alcançaram o equivalente a 5% do PIB mundial.

Além da existência de um protecionismo clássico, cuja finalidade é subvencionar os setores em apuros, Strauss-Kahn insistiu no perigo do "protecionismo financeiro".

"A forma com que a maioria dos bancos ocidentais repatriaram seus capitais dos países em desenvolvimento é uma nova forma de protecionismo, que ameaça não apenas as economias emergentes, como também pelo rebote dos países industrializados", estimou.

A crise é um dos maiores desafios enfrentados pela comunidade internacional, afirmou o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.

Depois de um crescimento de 6% em 2007, o comércio mundial deveria cair 10% este ano, advertiu. Por este motivo, a ajuda ao comércio se tonrou essencial, acrescentou Lamy, que pediu a reativação o quanto antes do ciclo de Doha para a liberalização dos intercâmbios comerciais.

Para voltar um ciclo de crescimento, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, enfatizou a importância deste sistema, "um componente crucial para melhor a competitividade dos exportadores e produtores dos países em desenvolvimento".

ale/cn

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