FMI ativa ajuda de emergência para frear crise

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, anunciou nesta quinta-feira em Washington que ativou um mecanismo de emergência para ajudar países que estão sendo seriamente afetados pela crise financeira global. O mecanismo, criado em 1995, permite a aprovação de empréstimos mais rapidamente pelo fundo.

BBC Brasil |

Foi usado pela primeira vez durante a crise asiática de 1997, quando Tailândia, Filipinas, Indonésia e Coréia do Sul foram beneficiados.

"Nós estamos prontos para responder a qualquer pedido de países que enfrentam problemas", disse Kahn, acrescentando que alguns países desenvolvidos podem ser ajudados.

Kahn revelou à BBC que já tem alguns países em vista como possíveis candidatos à ajuda do FMI, mas se recusou a revelar quais.

Recessão global
Também nesta quinta-feira, o diretor-gerente do FMI disse que o mundo está entrando em uma "recessão global" e que o sistema financeiro internacional só deve começar a se recuperar da atual crise na segunda metade de 2009.

"Nosso parecer é que o crescimento das economias avançadas será próximo de zero no ano que vem e de cerca de 3% na economia global", disse Strauss-Kahn. "Assim, estamos à beira de uma recessão global."
"Na primavera (no hemisfério norte, outono no Brasil), o FMI foi criticado por ser pessimista demais", acrescentou. "Infelizmente, fomos otimistas demais."
Strauss-Kahn também comentou o avanço da crise bancária na Europa e afirmou que os países da União Européia precisam adotar ações coordenadas em relação ao problema.

Para o diretor-gerente do FMI, qualquer ação unilateral - como as que foram anunciadas nos últimos dias por vários países do bloco - "precisa ser evitada ou mesmo condenada".

"Faço um apelo aos países europeus para que trabalhem juntos", acrescentou. "Não há solução doméstica para uma crise como esta."
Preço para os pobres
Em outra coletiva em Washington, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou que existe o risco de a crise financeira piorar a situação dos países mais pobres, com um impacto negativo que pode nunca mais ser superado, especialmente pelas crianças dessas nações.

"Não podemos deixar que uma crise financeira se transforme em uma crise humana", disse Zoellick. "Não se pode pedir aos mais pobres que paguem o preço mais alto."
"As crianças podem sofrer as conseqüências de longo prazo dos choques econômicos de curto prazo e nunca se recuperarem totalmente."
"Estimamos que mais 44 milhões de pessoas vão sofrer de desnutrição neste ano como resultado da alta dos preços dos alimentos e, para as crianças, isso significa um potencial perdido que nunca será recuperado."
As declarações de Strauss-Kahn e Zoellick foram feitas às vésperas do encontro anual do FMI e do Banco Mundial, que será realizado neste fim de semana na capital americana em meio à intensificação da crise financeira mundial.

Mercados
Também nesta quinta-feira, o Banco Central Europeu injetou mais US$ 100 bilhões no sistema bancário dos países que adotam o euro como moeda, além de dar crédito ilimitado aos países do bloco até pelo menos janeiro do ano que vem.

Fora da zona do euro, a crise deu sinais de mais intensificação na Islândia.

No Japão, o Banco Central injetou US$ 40 bilhões no mercado de Tóquio, a mais alta injeção de capital autorizada pela instituição desde o início da crise.

As injeções de capital ocorreram depois que sete bancos centrais de todo o mundo anunciaram juntos uma redução nas taxas de juros, em uma ação coordenada para tentar frear o desaquecimento econômico.

Apesar dos cortes nos juros e de injeções de dinheiro, a principais bolsas de valores do mundo voltaram a fechar com baixas nesta quinta-feira.

Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 7,33% e atingiu seu nível mais baixo em pontos em cinco anos, ficando abaixo dos 9 mil pontos (8.579, 19), enquanto o Nasdaq ficou em -5,47%.

A Bovespa, em São Paulo, seguiu a tendência americana e fechou em -3,92%.

Na Europa, Paris, Londres e Frankfurt também tiveram recuos, apesar dos ganhos registrados no início dos pregões.

Por outro lado, na Ásia, os resultados variaram - O índice Hang Seng, de Hong Kong, encerrou com alta de 3,59% aos 15.985,39 pontos, recuperando parte da perda de quase 13% registrada em dois dias.

O principal indicador da Bolsa de Tóquio, o Nikkei 225, fechou em queda de 0,5% aos 9.157,49 pontos, o menor nível em cinco anos. O índice Topix, mais amplo, encerrou em alta de 0,68%.

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