O Estado, decisivo na escolha do presidente, desafiou o Partido Republicano, anunciando que sua primária será em 31 de janeiro

selo

Eleições nos EUA estão marcadas para novembro de 2012
AP
Eleições nos EUA estão marcadas para novembro de 2012
A decisão da Flórida de antecipar sua primária para a escolha do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, anunciada na manhã desta sexta-feira, provocou revolta entre os outros Estados e deverá alterar o calendário da corrida à Casa Branca.

Um dos Estados decisivos na escolha do presidente americano, a Flórida desafiou as regras do Partido Republicano e anunciou que sua primária será realizada em 31 de janeiro de 2012. Segundo analistas políticos e os nove membros da comissão estadual que decidiu a mudança de data, a medida teve como objetivo aumentar a influência da Flórida no processo eleitoral.

Nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, a eleição presidencial segue um longo processo, no qual em casa Estado, os dois principais partidos – o Democrata (do presidente Barack Obama) e o Republicano – realizam primárias (votação por meio de cédulas) e caucus (espécies de convenções) para ganhar a adesão de delegados. Serão esses delegados que, posteriormente, irão escolher o candidato que irá concorrer pelo partido na eleição presidencial, marcada para novembro de 2012.

Com a decisão da Flórida, Iowa, New Hampshire, Nevada e Carolina do Sul deverão também antecipar suas votações. De acordo com as regras eleitorais americanas, esses quatro Estados são os únicos com permissão para realizar prévias antes de 6 de março, e promoveriam suas primárias e caucus respectivamente nos dias 6, 14, 18 e 28 de fevereiro.

Reações

A intenção da Flórida de antecipar sua primária já era conhecida, mas a decisão foi recebida com críticas pelos outros Estados que tradicionalmente dão início à temporada de votações.

Minutos após o anúncio, o líder do Partido Republicano em Iowa, Matt Strawn, emitiu um comunicado no qual afirma que a "arrogância" demonstrada pelas autoridades eleitas da Flórida "é decepcionante, mas não surpreendente". "As consequências da intransigência da Flórida devem vir rápidas e severas", disse Strawn, ao pedir que o Partido Republicano cumpra com a promessa de punir o Estado.

O Comitê Nacional Republicano ameaça cortar metade dos delegados da Flórida na convenção para escolher o candidato do partido, marcada para agosto, em Tampa. A briga dos Estados para iniciar o processo de votação se deve à maior atenção que essas prévias recebem por parte dos candidatos, o que aumenta as chances de que problemas locais sejam tratados com mais atenção pelo futuro presidente. Os primeiros Estados a realizar prévias também lucram com os recursos extras decorrentes das visitas frequentes dos candidatos e da imprensa e da propaganda eleitoral nos meios de comunicação.

Iowa é tradicionalmente o primeiro Estado a realizar um caucus, enquanto New Hampshire inicia a temporada de primárias. Strawn já anunciou que pretende manter Iowa como o primeiro no calendário. "A data final do Caucus de Iowa será anunciada assim que New Hampshire define a data de sua primária", disse o líder republicano. Autoridades de New Hampshire já falam até em realizar sua primária em dezembro, "caso seja necessário", para manter a tradição de abrir o calendário eleitoral.

Candidatos

Na prática, a antecipação do calendário eleitoral republicano significa que a data final para que políticos se candidatem oficialmente à indicação do partido também acontecerá mais cedo do que o previsto. Essa mudança obrigaria nomes como Sarah Palin, ex-candidata à vice-presidência em 2008, ou Chris Christie, governador de Nova Jersey, a antecipar sua decisão sobre concorrer ou não à indicação do partido.

Analistas afirmam que a alteração do calendário poderia beneficiar candidatos como Mitt Romney, que já estão há mais tempo na corrida eleitoral e já têm uma campanha mais sólida. Ex-governador de Massachusetts, Romney é um dos melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto, ao lado do governador do Texas, Rick Perry .

No entanto, analistas afirmam que o Partido Republicano parece ainda não ter um nome mais forte que realmente tenha destaque na disputa. No Partido Democrata, Obama concorre à reeleição sem adversários, mas enfrenta queda em seus índices de popularidade à medida que os problemas econômicos do país se agravam.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.