Florestas podem tornar-se fonte de aquecimento, diz estudo

Por Timothy Gardner NOVA YORK (Reuters) - As florestas do planeta correm o risco de se tornarem uma fonte de emissões de gases do efeito estufa ao invés de absorvê-los, caso não haja controle sobre as atuais emissões, segundo cientistas.

Reuters |

O desmatamento (pelo corte ou queima de árvores) emite 20 por cento do dióxido de carbono do mundo, enquanto as florestas mantidas vivas absorvem 25 por cento das emissões.

Se a Terra se aquecer pelo menos 2,5 graus Celsius, a evaporação decorrente do calor adicional levaria a graves secas e ondas de calor que matariam enormes extensões de matas tropicais na África, no sul da Ásia e na América do Sul. E as emissões resultantes do apodrecimento das árvores poderiam transformar as florestas em fonte do aquecimento.

"Se as temperaturas estão subindo no ritmo atual, definitivamente isso aconteceria no final do século ou antes", disse Risto Seppala, que coordenou o relatório da ONG União Internacional de Organizações de Pesquisas Florestais.

O relatório será apresentado na semana que vem em um Fórum Florestal da ONU em Nova York.

Nem todas as áreas do mundo sofreriam imediatamente, e as florestas de coníferas no Hemisfério Norte em princípio se beneficiaram.

"No começo, isso significaria algumas consequências muito positivas" para as florestas boreais em lugares como Canadá e Escandinávia, disse Seppala por telefone de sua casa na Finlândia, ao norte do Círculo Polar Ártico.

De acordo com ele, as indústrias de papel e celulose nas regiões frias do Norte iriam sair ganhando, porque o clima mais quente estimularia o crescimento de abetos e outras árvores.

Mesmo florestas de áreas com clima mais temperado, como nos EUA e Europa Ocidental, num primeiro momento poderiam crescer mais. Depois, porém, poderiam ser vitimadas pela ampliação da zona de ocorrência pestes e parasitas que até agora se limitam a zonas quentes - é o que já acontece com um tipo de besouro que vem atingindo o Canadá e resistido aos invernos locais.

Mas os efeitos reais dependem de exatamente quanto será o aquecimento. Uma pesquisa Reuters feita neste mês junto a cientistas mostrou que a previsão é de um aquecimento de 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, o que muitos países consideram ser o limite tolerável para evitar elevação do nível dos mares, secas e ondas de calor. As temperaturas médias já subiram 0,7 grau Celsius.

O relatório diz que há medidas que podem proteger as florestas e ajudar na sua adaptação ao aquecimento, como o manejo sustentável. Mas, segundo Seppala, o mais importante mesmo seria conter as emissões de gases do efeito estufa.

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