Final do Miss Palestina é adiado por ausência de selecionadas

Nuha Musleh. Ramala, 18 dez (EFE).- O primeiro concurso Miss Palestina foi suspenso temporariamente porque, devido a pressões sociais, apenas quatro das 20 selecionadas para a final se apresentaram.

EFE |

Os organizadores esperam retomar o concurso neste fim de semana e atribuem a deserção à repressão sofrida pelas ausentes para que não participassem de uma competição que contava com a resistência de setores conservadores e a rejeição dos islamitas.

O Miss Palestina, organizado pela empresa Trip Fashion Company, gerou tanta polêmica que a moderada Autoridade Nacional Palestina (ANP) se distanciou de seu desenvolvimento, apesar de, a princípio, ter demonstrado seu apoio ao envento.

O concurso foi aberto há semanas com anúncios que convidavam as eventuais candidatas a não deixar passar a oportunidade de se transformar na primeira rainha da beleza palestina e "embaixadora de nosso povo".

As condições eram ter entre 18 e 24 anos, ser de pai e mãe palestinos e de ter nascido no ex-protetorado britânico da Palestina; ou seja, o atual Estado de Israel e os territórios ocupados de Jerusalém Oriental, Gaza e Cisjordânia.

Um total de 56 meninas apresentou suas candidaturas, das quais, após um primeiro crivo, ficaram as 20 que tinham sido convocadas ontem, mas das quais 16 não se apresentaram.

O prêmio para a vencedora, que seria proclamada em um evento a princípio programado para o dia 26, era de US$ 2.700, um carro e uma viagem à Turquia, o que aparentemente não foi suficiente.

"Só pretendemos dar relevância ao papel da mulher na sociedade", assegurou Youssef, que não escondeu as dificuldades às quais desde o princípio a iniciativa enfrentou, incluídos alguns pais "que pediram a suas filhas que se retirassem do concurso".

"Respeitamos as críticas, porque sabemos que muitos rejeitam nossa ideia. Mas insistimos em que não atentamos contra os costumes sociais. Todas as meninas se apresentam vestidas decentemente, de forma aceitável para todos", garantiu a promotora. "Só pretendemos valorizar a beleza feminina", disse.

Em entrevistas à Agência Efe, duas das quatro candidatas concordaram com Youssef em defender a filosofia do concurso como um motor de mudança social.

"Faço isto porque busco uma reviravolta em minha vida e porque quero fazer algo pela Palestina. Acho que devemos realizar este tipo de coisa para que sirva de revulsivo a nossa sociedade", disse Muna Anan, estudante de inglês da Universidade de Birzet (Ramala).

"Faz parte de nossa libertação como indivíduos. Este concurso servirá para fortalecer o papel e a personalidade da mulher palestina", disse Samar Kuzmar, que trabalha em uma companhia de marketing na cidade cisjordaniana de Tulkarem.

Tanto Muna quanto Samar negaram que o evento atente contra a dignidade de sua condição feminina, e lamentaram que o concurso tenha gerado uma onda de críticas.

A primeira voz lançada contra o concurso foi a do Hamas, em Gaza, onde o Ministério de Cultura do movimento radical islâmico assegurou que "contradiz os valores palestinos", e o qualificou de "grosseira imitação das tradições ocidentais".

"Mostrar meninas bonitas diante dos meios de comunicação de massas enquanto prossegue a ocupação (israelense) só merece uma condenação", afirmou o ministério em comunicado, onde pediu que as organizações palestinas "fizessem o necessário para deter o concurso".

Também o conhecido como Sindicato Palestino de Cientistas Religiosos, próximo à imprensa islamita, expressou sua rejeição à iniciativa, em uma declaração na qual considera que "se trata de um passo para a imoralidade, para a vulgaridade e para a obscenidade".

EFE nm-amg/pd

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