Fim do Protocolo de Kyoto significa morte da África, diz UA

A União Africana (UA) alertou nesta terça-feira para a possibilidade de que a conferência sobre o clima em Copenhague termine com a sentença de morte do Protocolo de Kyoto, única ferramenta legal de cumprimento obrigatório em matéria de luta contra o aquecimento global.

AFP |

"Os representantes do continente se recusam categoricamente a seguir adiante com negociações que levarão ao fim do Protocolo de Kyoto", anunciou a UA em comunicado transmitido à AFP.

"A Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC) lista princípios gerais sem qualquer medida de cumprimento obrigatório. Já o Protocolo de Kyoto constitui o instrumento jurídico que prevê os compromissos de cortes das emissões de gases de efeito estufa", acrescentou.

Para a UA, representada pelo primeiro-ministro etíope Meles Zenawi, nomeado "negociador-chefe" dos 53 países membros da organização, "o fim de Kyoto significa a morte da África".

As delegações africanas aceitaram voltar à mesa de negociações na tarde desta terça-feira. Elas tinham se retirado na manhã de ontem (segunda-feira) para exigir a realização de uma sessão plenária sobre o futuro do Protocolo de Kyoto.

"Tudo leva a crer que os países ricos estão desenvolvendo uma política cliática muito mais branda. As consequências para a África do desaparecimento do Protocolo de Kyoto são principalmente a fome, os deslocamentos de populações, as inundações, as secas, os conflitos sociais, as doenças e o aumento da pobreza de um modo geral", explicou a UA.

A organização lembrou que o principal objetivo da conferência de Copenhague é "conseguir compromissos ambiciosos dos países ricos, os maiores responsáveis pelo aquecimento global, que tem consequências dramáticas para a África". "O fim do Protocolo de Kyoto significa o fim de nossas esperanças", insistiu.

A África é o continente mais afetado pelo aquecimento global, apesar de contribuir com menos de 4% às emissões de gases de efeito estufa de todo o planeta.

eg/yw

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