Fim do julgamento de líder opositora de Mianmar é adiado novamente

Bangcoc, 27 jul (EFE).- A audiência final do julgamento da líder opositora birmanesa e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, foi adiada hoje, mais uma vez, até amanhã, quando a promotoria exporá seus argumentos finais e será definida uma data para a decisão.

EFE |

A princípio, o processo terminaria hoje, mas, na última hora, o juiz aceitou a solicitação da promotoria de ter uma sessão a mais para terminar sua alegação, informaram fontes diplomáticas presentes na sala.

Se o julgamento não tiver mais atrasos, o veredicto será anunciado em duas ou três semanas, segundo Nyan Win, advogado de Suu Kyi e porta-voz de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

Nyan Win, que afirma que sua representada "está preparada para o pior", fez mais reclamações sobre o tratamento em relação à promotoria, que teve dois dias para preparar seu caso, enquanto a defesa só pôde se reunir com a cliente na véspera da audiência na qual apresentariam seus argumentos finais.

Suu Kyi é acusada de ter violado as condições da prisão domiciliar que cumpria desde 2003, ao permitir que o cidadão americano John Yettaw pernoitasse durante duas noites em sua casa, no início de maio.

Durante a sessão de hoje, o advogado de Yettaw afirmou que seu cliente cometeu apenas crime de invasão de domicílio, quando entrou na casa sem ter sido convidado, após chegar nadando pelo lago Inye, em Yangun.

O americano enfrenta a mesma acusação de Suu Kyi, mas como cúmplice, um crime que também pode ser punido com a sentença máxima de cinco anos de prisão, segundo as leis birmanesas.

Também são acusadas pelo mesmo crime Khin Khin Win e sua filha Win Ma Ma, as duas mulheres que acompanharam Suu Kyi durante todos estes anos em seu confinamento e que também compareceram ao tribunal para defender sua inocência.

A audiência, que aconteceu em uma dupla sessão de amanhã e à tarde, teve a presença de vários diplomatas estrangeiros, entre eles um representando os Estados Unidos, que foi autorizado porque entre os acusados há um cidadão americano.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ofereceu na semana passada ao regime birmanês incentivos em forma de investimentos americanos se a Junta Militar se comprometesse a libertar Suu Kyi e os outros presos políticos, cerca de 2,1 mil, segundo a Anistia Internacional.

Esta organização escolheu hoje a Nobel da Paz para receber a máxima distinção da ONG, a de embaixadora da Consciência, por seu trabalho incansável na defesa dos direitos humanos.

O prêmio será entregue aos filhos de Suu Kyi exilados no Reino Unido pelo cantor Bono, líder do grupo musical U2.

Desde o início, em 18 de junho, o julgamento de Suu Kyi foi condenado por Governos de todo o mundo, que consideram que o processo é uma estratégia para apagar a opositora das eleições que a Junta Militar planeja realizar em 2010.

As eleições serão uma farsa, segundo o movimento democrático de Mianmar, onde os militares controlam o poder desde 1962 e cujos cidadãos não são convocados às urnas desde 1990.

Naquela ocasião, a LND arrasou o partido oficial e obteve mais de 80% dos votos, mas, quase duas décadas depois, os militares resistem em aceitar os resultados.

A Junta Militar considera uma ingerência grave em seus assuntos domésticos e uma falta de respeito a seu sistema judiciário qualquer crítica do exterior, e insiste em que o processo contra a ativista tem todas as garantias.

Suu Kyi, de 64 anos e conhecida popularmente como a "Dama" pelos birmaneses, representa a última esperança para a liberdade de um povo oprimido, apesar de ter ficado privada da liberdade durante quase 14 dos últimos 20 anos. EFE tai/an

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