Céline Aemisegger. Washington, 24 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, George W.

Bush, e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, terminam hoje três anos de estreita colaboração, embora acreditem deixar para seus sucessores um legado que possa levar a um acordo de paz no Oriente Médio.

O encontro dos dois líderes, que acontecerá na Casa Branca, será o último antes que entreguem, com poucos meses de diferença, as rédeas de seus Governos e os esforços para conseguir um acordo de paz palestino-israelense a outros líderes.

A reunião "é uma oportunidade para avaliar em que ponto estão as coisas e para onde vemos que se dirigem no futuro", explicou o porta-voz adjunto da Casa Branca, Tony Fratto.

A reunião, que acontecerá por volta das 21 (Brasília), acontece no momento em que os dois líderes não conseguiram chegar a um acordo de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O presidente dos EUA lançou no final de novembro de 2007 a iniciativa de Annapolis para reavivar o processo de paz, com o objetivo de conseguir, antes de deixar o cargo, um acordo palestino-israelense, um objetivo que, segundo admitiram todas as partes envolvidas nas negociações, não poderá ser alcançado.

Porém, a Casa Branca não quer nem escutar falar na palavra fracasso e insiste que os céticos e críticos "ignoram a grande quantidade de progressos" feitos desde o lançamento da iniciativa de Annapolis, segundo Fratto.

"Acho que uma de nossas conquistas é este importante processo no qual as partes estão falando entre elas e criaram uma base para melhorar a segurança e a ajuda econômica aos territórios palestinos", disse o porta-voz.

A secretária de Estado, Condoleezza Rice, com quem Olmert se reuniu em um café-da-manhã de trabalho, também defendeu o processo de paz, ao assegurar que "há um processo robusto" que está "em um estado bastante bom".

Segundo ela, o fato de que não se tenha produzido um acordo a essas alturas se deve "em grande parte à situação política em Israel".

Por isso, o encontro entre Bush e Olmert servirá para resumir os progressos conseguidos e criar um Mapa de Caminho para os pontos pendentes de negociação olhando para o futuro.

Não se prevê que do encontro saiam grandes anúncios, pois acontece menos de duas semanas depois que o Quarteto de Madri - grupo mediador no processo de paz formado por EUA, Rússia, União Européia e ONU - se reunisse com as autoridades de Israel e da ANP em Sharm el-Sheikh, no Egito, para avaliar os avanços conseguidos.

Apesar de as duas partes terem reiterado seu compromisso para seguir trabalhando e cumprindo suas obrigações sob as diretrizes estabelecidas a partir da cúpula de Annapolis para chegar a uma solução de dois Estados, o futuro das negociações é incerto.

O presidente eleito Barack Obama prometeu continuar apoiando as conversas de paz, mas o próximo líder americano assumirá seu cargo em um momento em que Israel se prepare para as eleições e o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, está enfraquecido desde que o grupo radical Hamas assumisse o controle da Faixa de Gaza no ano passado.

Na reunião entre Bush e Olmert, os dois líderes abordarão, além disso, a ameaça que representa o programa nuclear do Irã para a região, as negociações de paz que Israel e Síria mantêm com a mediação da Turquia, e os acordos bélicos e de aviões-caça pendentes de serem executados entre ambas as nações.

Olmert aproveitará sua visita a Washington para se despedir também do vice-presidente, Dick Cheney, e para jantar, em companhia de sua esposa, com o presidente Bush e a primeira-dama americana, Laura. EFE cai/rr

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