Filme sul-africano lembrará anos violentos no fim do apartheid

Os anos que antecederam o fim do Apartheid na África do Sul vão virar filme com atores de Hollywood. O Clube do Bang Bang, inspirado no livro do mesmo nome, conta a experiência de quatro jovens fotógrafos sul-africanos que captaram algumas das imagens mais marcantes da época.

BBC Brasil |

Publicado em 2001, com fotos de Greg Marinovich, João Silva, Kevin Carter e Ken Oosterbroek, o livro retrata os violentos conflitos entre diversos grupos políticos no período entre a libertação de Nelson Mandela, em 1990, e as primeiras eleições livres da história do país, em 1994.

"Rodar essa história foi como viver cinco anos em apenas seis semanas", disse Marinovich, que trabalhou como consultor do filme, em entrevista à BBC Brasil.

As lembranças dos conflitos estão marcadas até hoje no corpo de Marinovich. Durante um tiroteio na favela de Thokoza, nove dias antes das eleições de 1994, ele ficou gravemente ferido e seu parceiro Ken Oosterbroek acabou morto. No mesmo ano, Kevin Carter, que havia recebido o Prêmio Pulitzer de Fotografia meses antes, se suicidou por depressão.

"Tenho consciência de que foi uma experiência muito rica para todos que viveram naqueles anos, mas olhando pra trás, preferia nunca tê-la vivido", explicou Marinovich.

Expectativas frustradas
O diretor do filme, Stephen Silver, acredita que a violência entre 1990 e 1994 foi uma espécie de "último espasmo do regime do apartheid".

"Essa é a história que não foi contada sobre a libertação política da África do Sul. Morreram mais pessoas naqueles anos do que em décadas de apartheid", analisa Silver.

Marinovich disse que o país mudou muito desde então. Apesar de reconhecer graves problemas como a violência urbana, ele não vê semelhanças entre os dias de hoje e a tensão do início da década de 90. Ainda assim, lamenta que os governos que sucederam o regime do Apartheid não tenham conseguido atender às expectativas de boa parte da população.

"Sinto que as pessoas estão desapontadas, a democratização não trouxe os serviços que prometia para o povo. Os mais pobres ainda sofrem muito com as desigualdades sociais", afirmou.

João Silva, o outro autor ainda vivo do livro, classificou a realização do filme como uma forma de manter vivas as memórias de Ken Oosterbroek e Kevin Carter.

"Trabalhei com os produtores para levarmos às telas um retrato verdadeiro daqueles dias. O livro é de certa forma um símbolo de amor em meio a tudo que passamos", acrescentou.

A irmã de Oosterbroek, Athele, também participou da produção. Para ela, foi uma forma de homenagear o irmão assassinado.

"No início das filmagens tudo foi muito real e doloroso. Mas estou feliz em contar essa história que homenageia quatro amigos, incluindo meu irmão. O filme vai ajudar a curar feridas e creio que muita gente vai aprender com ele", disse Athele.

O Clube do Bang Bang foi rodado na África do Sul e tem no elenco Ryan Phillippe (de Crash - No Limite e A Conquista da Honra), que interpreta Marinovich. A previsão de lançamento é para o segundo semestre deste ano ou para o início de 2010.

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