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Filme grego leva prêmio Um Certo Olhar em Cannes

Javier Alonso. Cannes (França), 23 mai (EFE).- O filme grego Kynodontas (Dentes de Cachorro, em tradução livre), dirigido por Yorgos Lanthimos, venceu hoje o prêmio que leva o nome da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cinema de Cannes, ao qual também concorria o brasileiro À Deriva, de Heitor Dhalia.

EFE |

O filme vencedor conta a história de um casal e de seus três filhos os quais vivem enclausurados em uma casa porque o pai não permite contato com o mundo exterior, exceto com uma pessoa que serve de canal entre a família e o que ocorre a sua volta.

O isolamento é tanto que os filhos acham que os aviões que sobrevoam a casa são de brinquedo. Sua educação é dirigida com mão de ferro pelos pais, que permitem apenas as visitas de uma segurança que alivia os impulsos sexuais do filho.

Este único contato com o mundo exterior tem consequências dramáticas nas relações familiares e serve de estímulo ao questionamento da drástica "escolha educativa" dos pais.

"Kynodontas" é o segundo longa-metragem de Lanthimos, que rodou em 2005 "Kinetta" e que dirigiu em 2001 o curta-metragem "Uranisco Disco".

O grande prêmio do júri da seleção de 20 filmes que integraram esta seção paralela do festival de Cannes foi para a produção romena "Politis, Adjectiv", dirigida por Corneliu Porumboiu. Em 2006, o realizador recebeu o prêmio Câmera de Ouro do evento francês por "A Leste de Budapeste".

"Politis, Adjectiv" conta a história de um policial que se nega a deter um jovem que oferece haxixe a dois colegas de classe porque crê que a lei que pune esse ato mudará, o que o põe contra seus superiores.

Os membros do júri também concederam seu prêmio especial aos filmes "Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadareh" ("Ninguém Sabe de Gatos Persas", em tradução livre), do diretor iraniano Bahman Ghobadi, e "Le Père de Mes Enfants" ("O Pai de Meus Filhos", em tradução livre), produção francesa dirigida por Mia Hansen-Love.

Ghobani não é um desconhecido em Cannes - recebeu a Câmera de Ouro em 2000. Em seu atual filme, o diretor desce aos porões de Teerã, onde encontra músicos que só podem "crescer" de forma clandestina no Irã e tentam viajar para o exterior.

Os músicos "underground" de Teerã são impedidos de sair do Irã para ter a vida que a repressão do regime os impede de ter acesso e Ghobadi denuncia exatamente o controle e o absurdo das situações que conduz no filme.

Já o filme francês conta outra história familiar, a de Grégoire, um produtor de cinema que leva uma vida profissional plena completada com estadas no campo junto com sua mulher e seus filhos.

Entretanto, este conjunto aprazível esconde suas dificuldades financeiras.

Além de "À Deriva", ficaram fora das premiações da mostra "Um Certo Olhar" filmes como "Morrer Como Um Homem", do português João Pedro Rodrigues, e o romeno "Amintiri Din Epoca de Aur" ("Contos da Época de Ouro", em tradução livre), dirigido por cinco realizadores.

A seleção da mostra em 2009 também trouxe produções de países como Japão, Estados Unidos, Austrália, Coreia do Sul, Rússia, Filipinas, Israel, Alemanha, Tailândia e Holanda.

O júri desta seção de Cannes foi formado pelo cineasta Paolo Sorrentino, pela jornalista Uma da Cunha, pelo diretor do Festival de Cinema de Toronto (Canadá), Piers Handling, e pela diretora do Festival de Gotemburgo (Suécia), Marit Kapla.

A cerimônia de premiação, seguida da projeção do filme vencedor, precede a entrega da Palma de Ouro, que acontece amanhã. EFE jam/bba

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