Manila, 16 set (EFE).- O Governo filipino chegou a um acordo hoje permitir a mediação da União Europeia (UE) ou a Organização da Conferência Islâmica (OIC) no conflito armado que mantém com os separatistas há quatro décadas.

A mediação internacional era uma das principais condições impostas pelos rebeldes muçulmanos da Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI) para retomar as negociações de paz, rotas desde há um ano.

Em comunicado, o Governo da presidente, Gloria Macapagal Arroyo, assinalou que a mediação do chamado Grupo Internacional de Contato, cuja composição está ainda por determinar, supõe um avanço para conseguir que as negociações culminem em um acordo de paz.

"A participação do Grupo Internacional de Contato é a maior conquista para perseguir a paz em Mindanao", apontou Rafael Seguis, chefe negociador governamental, por meio de um comunicado.

O Governo das Filipinas indicou na terça-feira passada que confia em que as negociações com os representantes do FMLI possam ser retomadas na próxima semana, uma vez finalizado o Ramadã, período de jejum muçulmano.

Em meados de julho passado, o Executivo das Filipinas ordenou suspender todas suas operações militares nas zonas de conflito em Mindanao, no sul do arquipélago.

As negociações estão paralisadas desde que a Corte Suprema anulou em agosto de 2008 um memorando de entendimento pactuado por Governo e rebeldes, que ia aplanar o caminho para um acordo de paz.

O pacto se chocou com a oposição de vários políticos cristãos do sul do país, que tacharam o acordo de uma cessão encoberta aos muçulmanos da soberania sobre a zona.

Então, os comandantes rebeldes do FMLI responderam atacando povoados católicos em Mindanao apesar do cessar-fogo vigente desde 2003.

A onda de violência deixou um rastro de mais de 300 vítimas mortais - entre elas muitos civis - e cerca de meio milhão de deslocados, a maioria dos quais ainda não pôde voltar a seu lar.

Os cinco milhões de muçulmanos de Mindanao, primeiros habitantes da ilha antes que chegassem os colonizadores espanhóis, mantêm uma difícil convivência com a maioria de nove milhões de cristãos.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil combatentes que lutam a favor de um Estado islâmico independente no sul do país. EFE mfr/fk

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