Filhos de Bin Laden acusam EUA de violar lei internacional

Em mensagem, filhos criticam Washington por matar homem desarmado, disparar contra membros de sua família e sepultá-lo no mar

iG São Paulo |

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Omar Bin Laden, filho de Osama bin Laden, em foto de 4 de fevereiro de 2008
Os filhos adultos do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden , criticaram o presidente dos EUA, Barack Obama, pela morte de seu pai, acusando Washington de violar os princípios legais básicos ao matar um homem desarmado, disparar contra os membros de sua família e realizar o sepultamento de seu corpo no mar.

Em mensagem publicada nesta terça-feira, os filhos do líder terrorista ameaçaram levar Obama à justiça como "responsável" pelo destino de seu pai e consideraram "inaceitável" e "humilhante" que seu corpo tenha sido lançado ao mar.

"Consideramos o presidente Obama em pessoa legalmente responsável pelo destino de nosso pai, Osama bin Laden", diz a mensagem assinada por Omar bin Osama bin Laden, divulgada online em nome dos irmãos e citado pelo centro americano de vigilância de sites islamitas SITE.

Inimigo público número um dos Estados Unidos desde os atentados do 11 de Setembro de 2001, Bin Laden morreu em 2 de maio na operação de um comando americano contra a residência onde estava escondido em Abbottabad , Paquistão.

Seu corpo foi jogado no mar, segundo Washington. "É humana e religiosamente inaceitável ver uma pessoa desse nível e dessa importância para seus parentes ter seu corpo lançando ao mar de uma forma humilhante para sua família e seus adeptos, algo que fere os sentimentos de centenas de milhões de muçulmanos", disse Omar Bin Laden.

"Como filho de Osama Bin Laden, nos reservamos o direito" de levar os responsáveis por "esse crime à justiça americana e internacional para esclarecer o destino de nosso pai desaparecido", acrescentou.

Lei do silêncio

Oito dias após o ataque americano que culminou com a morte de Bin Laden na cidade de Abbottabad, o Exército do Paquistão impôs a lei do silêncio ao redor do esconderijo onde o terrorista foi localizado, proibindo conversas entre a vizinhança e a aproximação de veículos da casa.

Na segunda-feira, a polícia impediu Aurangzeb de passar por sua rua no bairro de Bilal Town, quando levava um amigo à casa de Haji Zain Baba, um velho curandeiro do bairro que é conhecido por tratar reumatismos com apenas poucas e hábeis manipulações.

"Por mais que dissesse que meu amigo estava doente, não quiseram saber de nada e me reponderam que ninguém estava autorizado a passar por ali", lamentou.

A pequena casa feita de tijolos e latas de Haji Zain Baba, de 80 anos, é encostada ao muro da agora célebre "mansão" branca onde em 2 de maio um comando americano localizou e matou Bin Laden.

O Exército paquistanês prendeu o filho de Haji Zain, Shamrez, que chegou a trabalhar algumas vezes como jardineiro na "casa de Bin Laden". Ele foi solto na sexta-feira, mas saiu da prisão convencido a não dar declarações à imprensa. "Ele deixou a cidade, está muito longe agora", afirmou seu filho, Qasim Mohamed.

Após o anúncio da morte de Bin Laden, mais de 10 mil soldados foram enviados a Bilal Town, que foi invadida por jornalistas do mundo inteiro. Três dias depois, podiam-se contar 500 jornalistas e curiosos diante da porta do agora lendário esconderijo.

Mas o Exército local logo se cansou de toda a exposição na mídia, das perguntas dos repórteres e das matérias em que foi classificado, na melhor descrição, como detentor de um inoperante serviço secreto e, na pior, como cúmplice da Al-Qaeda. Desde quinta-feira, entre 400 e 500 militares e policiais foram enviados para isolar o bairro.

"Só posso sair de casa uma vez por dia para comprar o que comer", reclamou um vizinho. "E me proibiram terminantemente de falar com os jornalistas", completou.

Esses profissionais que, por sua vez, esperam uma possível abertura da casa de Bin Laden, parecem fazer um jogo de esconde-esconde com os soldados, que apitam e correm cada vez que um jornalista chega a menos de 500 metros da casa.

Muitas vezes os militares ainda obrigam os jornalistas a apagar as fotos ou vídeos feitos, expulsando os repórteres com o grito de "vá embora".

O policial Mohamed Zareen, que participa do cerco à área, reconhece estar cansado. "O Exército deveria abrir a casa. Os jornalistas veriam tudo e logo iriam embora. Não vejo a hora disso tudo acabar."

AFP
Esconderijo onde estava Bin Laden, em Abbottabad, no Paquistão
Também fartos da situação, cada vez mais moradores do bairro pedem à imprensa que vá embora, com medo de possíveis represálias. "Não me ligue mais no celular, não posso falar ao telefone", disse um deles à AFP, antes de desligar o aparelho rapidamente.

De acordo com fontes da polícia, o Exército deteve pelo menos 25 pessoas na cidade como parte das investigações sobre a presença de Bin Laden no país. Muitos já foram liberados. O Exército, segundo algumas fontes, pretende demolir a casa, mas até agora a instituição não se pronunciou a respeito.

Todas as medidas, assim como o silêncio constrangedor dos moradores, aumentam as especulações: "O Exército estaria escondendo alguma coisa? Bin Laden teria apoio na região ou estaria sob proteção de uma rede local ainda desconhecida?"

*Com AFP e New York Times

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