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Filho do Doutor Morte pede que pai se entregue

Berlim, 24 ago (EFE).- O filho do procurado criminoso nazista Aribert Heim, mais conhecido como Doutor Morte - devido a suas cruéis experiências médicas em campos de concentração e de extermínio -, pediu ao pai que se entregue e pare de fugir de seu passado.

EFE |

Em entrevista exclusiva ao jornal alemão "Bild am Sonntag", Rüdiger Heim, de 52 anos, diz que desde criança não sabe onde está o pai, um dos últimos criminosos nazistas procurados pelo Centro Simon Wiesenthal de Jerusalém e que provavelmente estaria escondido na América do Sul.

"Não me lembro da última vez que vi meu pai, em 1962. Cresci sem pai na casa dos meus avôs. Não sei onde ele vive nem financio sua fuga. Se já morreu, também não sei onde está enterrado", disse à publicação Rüdiger Heim, que tinha pouco mais de 6 anos quando o "Doutor Morte" começou sua fuga.

Na entrevista, Rüdiger conta que, "entre 1962 e 1967", duas cartas chegaram à caixa de correio da família: "Nelas, havia uma única frase: 'Estou bem'. Mas não posso garantir que essas cartas eram realmente do meu pai".

Em declarações ao mesmo jornal, o diretor do Centro Simon Wiesenthal, Efraim Zuroff, disse que Aribert Heim, médico da temida SS nazista e que hoje estaria com 94 anos, pode estar escondido no Chile.

Os indícios disso são uma mulher chamada Waltraud Diharce, que vive em Puerto Montt (Chile) e seria filha ilegítima do "Doutor Morte", e uma conta bancária em Berlim em nome do fugitivo com um saldo de 1,2 milhão de euros, bloqueados pelas autoridades alemãs.

Rüdiger diz que, se soubesse do paradeiro do pai, "gritaria ao mundo para que se entregasse e respondesse às terríveis acusações".

"O passado do meu pai é parte da minha vida. Negá-lo não faz sentido, mas não tenho que dizer a ninguém que não sou nazista", declarou o filho do "Doutor Morte", que já deu entrada nos papéis para declarar seu pai desaparecido e, em seguida, morto.

Quanto à conta em nome de seu pai com 1,2 milhão de euros que poderia herdar, Rüdiger disse que não sabia de sua existência até 1997, quando foi informado da existência dela pela Polícia.

Na entrevista, ele comenta que, "no caso de ser o único herdeiro, doaria todo esse dinheiro para a manutenção da memória histórica do campo de concentração de Mauthausen", onde seu pai realizou experiências médicas com prisioneiros. EFE jcb/wr/sc

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