Filho de Murdoch é acusado de mentir em depoimento sobre grampos

Dois ex-executivos de divisão britânica da News Corp. dizem estar incorreto depoimento de James Murdoch à comissão na terça-feira

iG São Paulo |

Dois ex-executivos graduados da News International, divisão britânica da News Corporation , disseram nesta quinta-feira que estava incorreto o testemunho dado terça-feira por James Murdoch , presidente e chefe-executivo das operações da empresa na Europa e na Ásia, a uma comissão parlamentar que investiga o escândalo das escutas ilegais do tabloide News of the World .

AP
James Murdoch presta depoimento à comissão parlamentar sobre o escândalo de escutas ilegais do News of the World (19/07)
Paralelamente, a News International demitiu um editor sênior do The Sun , outro de seus tabloides, de acordo com a BBC e ex-empregados do News of the World, cuja última edição circulou em 10 de julho . O chefe da seção de reportagens do The Sun, Matt Nixson, foi despedido nesta quinta-feira por realizar supostas escutas ilegais quando trabalhava para o News of the World, informou a News Corporation, proprietária de ambos jornais.

Em relação a acusação contra o filho de Murdoch, os dois executivos - Colin Myler, ex-editor do tabloide agora extinto, e Tom Crone, o ex-gerente legal do jornal - disseram ter informado James de um importante email que constava em um processo aberto por Gordon Taylor, o chefe do sindicato dos jogadores profissionais de futebol, cuja caixa de mensagens de voz foi interceptada pelo News of the World. A companhia alcançou um acordo sobre a ação judicial em 2008.

A comissão que investiga o caso reagiu ao desmentido de Myler e Crone afirmando que pedirá que James Cameron explique a contradição.

Sentado ao lado de seu pai em uma audiência em Westminster na terça-feira, James disse à comissão não estar ciente da mensagem de email, que contradizia uma declaração da News International na época de que o problema das escutas ilegais se limitava a um repórter.

Na época em que James autorizou um acordo confidencial de 725 mil libras (US$ 1,1 milhão) para Taylor, a companhia já sabia pelos advogados do sindicalista de evidências de que ele havia conseguido informações sobre o caso com a Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), incluindo uma transcrição de email de uma de suas mensagens de vozes de Taylor marcada como "Para Neville", em uma aparente referência ao repórter Neville Thurlbeck.

Se essa transcrição tivesse sido revelada no tribunal, teria contradito o testemunho de executivos da companhia perante a mesma comissão parlamentar, dizendo que apenas o repórter do News of the World Clive Goodman estava envolvido nos grampos. Críticos da companhia agora a acusam de pagar um acordo com uma cifra tão alta exatamente para manter essa prova escondida.

Myler e Crone disseram nesta quinta-feira que James foi informado da existência dessa transcrição de email quando autorizou o pagamento do acordo. O herdeiro de Murdoch reagiu à declaração dizendo que mantém seu testemunho perante a comissão.

Crone deixou a News International neste mês. A chefia de Myler à frente do tabloide terminou quando Murdoch o fechou em meio à escalada da crise.

*Com New York Times e EFE

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