Filho de líder norte-coreano visita China como herdeiro--jornal

Por Yoko Kubota TÓQUIO (Reuters) - O filho mais novo do líder norte-coreano Kim Jong-il visitou secretamente a aliada China na semana passada como um enviado especial de seu pai, e encontrou-se com o presidente chinês, Hu Jintao, afirmou o jornal japonês Asahi nesta terça-feira.

Reuters |

A notícia, que cita fontes não identificadas próximas à Coreia do Norte, surgiu dias após o Conselho de Segurança da ONU ter aprovado uma resolução proibindo a exportação de armas do governo norte-coreano, que aumentou a tensão regional ao conduzir um teste nuclear em maio.

Segundo o jornal, Kim Jong-un esteve ainda com outros líderes do Partido Comunista chinês durante sua visita a Pequim por volta do dia 10 de junho.

Analistas disseram que o teste nuclear norte-coreano em 25 de maio e outros atos hostis tiveram como principal alvo o público da própria Coreia do Norte, uma vez que Kim deseja assegurar que seu filho mais novo seja seu sucessor. Acredita-se que o líder tenha sofrido um derrame no ano passado.

Um assessor de Jong-un disse às autoridades chinesas que o filho mais novo de Kim foi apontado como herdeiro e que ele possui um cargo importante no governo comunista de Pyongyang, informou o jornal Asahi.

"Se isto que foi dito no jornal for comprovado que é verdade, não seria um exagero dizer que a decisão em torná-lo herdeiro é oficial", disse Ko Yu-hwan, professor de estudos norte-coreanos da Universidade Dongguk, em Seul.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse que não tinha conhecimento da visita. A mídia norte-coreana nunca disse ao povo do país que o líder Kim teria um herdeiro escolhido.

Jong-un, terceiro filho de Kim Jong-il, foi educado na Suíça e nasceu em 1983 ou 1984. No início deste mês, a mídia sul-coreana, citando fontes, disse que Pyongyang pediu ao principal corpo administrativo do país e a missões estrangeiras para garantir lealdade a Jong-un, indicando que ele tomaria o cargo de seu pai.

A China é o aliado mais próximo da Coreia do Norte e, na teoria, Pequim exerce mais influência sobre Pyongyang do que qualquer outra potência. No entanto, especialistas dizem que a relação é frágil e a China, na verdade, tem limitada ação para manobras.

Hu aparentemente pediu à Coreia do Norte para não realizar outro teste nuclear ou lançamento de mísseis, segundo o jornal Asahi. Acredita-se que Jon-un pediu à China um auxílio urgente de energia e comida, informou o jornal.

(Reportagem adicional de Yoko Nishikawa, em Tóquio, Jon Herskovitz, Jack Kim e Christine Kim, em Seul, Emma Graham-Harrison e Lucy Hornby, em Pequim)

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