Filho de ex-presidente francês é condenado por tráfico de armas em Angola

O filho do ex-presidente francês François Miterrand e um ex-ministro de governo da França foram condenados por envolvimento na venda ilegal de armas para Angola na década de 90. Jean-Christophe Miterrand foi um dos mais de 40 empresários, políticos e outras figuras públicas acusadas de envolvimento no acordo para fornecimento de armas no auge da guerra civil angolana.

BBC Brasil |

Miterrand foi condenado pela Justiça francesa a uma pena de prisão suspensa por dois anos. Com esta sentença os dois anos de prisão não precisam ser cumpridos pelo condenado, mas se ele se envolver em outro crime neste prazo, precisará cumprir tanto essa sentença como a referente à nova infração que cometer.

Ele também foi condenado a pagar uma multa de 375 mil euros. Miterrand era conselheiro para assuntos relacionados à África do governo francês na época em que seu pai ocupava a presidência.

Um ex-ministro do Interior francês, Charles Pasqua, foi condenado a uma pena de prisão de três anos, suspensa por dois anos pelo envolvimento no escândalo. Pasqua também terá que pagar uma multa de 100 mil euros.

Os dois foram condenados por aceitar subornos para facilitar acordos de venda de armas para Angola entre 1993 e 1998, o que violava a lei francesa. Outros dois empresários, que tiveram um papel crucial na venda de armas, foram condenados a seis anos de prisão cada.

Os promotores acusaram o bilionário russo-israelense Arkady Gaydamak e o magnata francês Pierre Falcone de serem figuras importantes em um negócio de tráfico de armas que atingiu o valor de US$ 790 milhões.

Gaydamak e Falcone foram acusados de comprar um enorme arsenal de tanques, helicópteros e peças de artilharia e então vender tudo para Angola durante a guerra civil, por meio de uma companhia baseada na França e sua subsidiária no Leste Europeu.

Falcone foi preso logo que a sentença foi proferida. De acordo com a agência de notícias Associated Press, Gaydamak está vivendo na Rússia.

O escândalo que levou 42 pessoas ao tribunal foi chamado de de "Angola-gate" pela imprensa francesa, pois foram revelados detalhes de negócios obscuros envolvendo políticos, empresários, figuras públicas e armas.

De acordo com o repórter da BBC em Paris Alasdair Sandford, o caso prejudicou as relações entre os governo francês e o angolano no momento em que a França tentava aumentar o comércio com Angola, que é um dos maiores produtores de petróleo da África.

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