Filhas de Obama crescerão na Casa Branca sob olhar atento do mundo

Em alguns dias Malia e Sasha Obama passarão a morar na Casa Branca, uma das residências mais ambicionadas do mundo, e submetidas a um implacável exame da imprensa e da curiosidade do público, em um mundo hiperconectado.

AFP |

"Uma das piores coisas do mundo é ser filho de um presidente. Leva-se uma vida horrível", comentou certa vez Franklin D. Roosevelt, que teve cinco filhos criados na Casa Branca.

Malia, de 10 anos, e Sasha, de 7, que ganharam o coração do grande público ao acompanhar o pai durante sua campanha eleitoral, serão as crianças mais novas a ocupar a residência presidencial desde os filhos dos Kennedy, no início de 1960.

Poucas crianças têm a oportunidade de convidar seus amiguinhos para uma festa de aniversário em que tem seu próprio cinema e sala de boliche, e onde se pode organizar um ótimo joguinho de esconde-esconde usando os mais de 130 cômodos da residência.

Mas, apesar dos privilégios, para as meninas será difícil escapar do olho do público e desfrutar a liberdade de crescer neste mundo que está 24 horas do dia conectado, onde os celulares estão a postos para postar a qualquer momento um vídeo no Youtube.

O presidente eleito e sua esposa, Michelle, já disseram repetidas vezes que sua maior preocupação é o bem-estar das filhas.

"Elas ainda não têm consciência. Ainda não adotaram poses. E acho que uma de nossas prioridades nos próximos anos será que isso se mantenha assim", afirmou Obama recentemente.

A futura primeira-dama já disse que as meninas terão uma rotina rígida, com tarefas que incluirão fazer a própria cama, arrumar o próprio quarto e deitar às 20H30.

Desde que o pai venceu as eleições, as meninas têm sido mantidas fora do foco da mídia. No dia em que pela primeira vez elas foram conhecer sua nova escola, Sidwell Friends, no início de janeiro, as onipresentes câmeras se mantiveram à distância.

"Os filhos do presidente, os "primeiros-filhos", são como nossos mascotes; as pessoas gostam de ver o que eles fazem, ficam fascinados com eles", explica o historiador Robert Watson à AFP.

"Já há muita pressão sobre essas crianças no dia a dia, mas não posso imaginar como seria para meus filhos, se, por exemplo, cada espinha fosse exibida na revista National Inquirer ou revelada no programa Entertainment Tonight", acrescentou. "Por exemplo, se uma das meninas tirar nota ruim numa prova, o país todo vai saber".

Em outros tempos as crianças brincavam livremente nos corredores da Casa Branca. Os filhos de Abraham Lincoln atormentavam o pessoal fazendo soar constantemente as campainhas que chamavam os empregados. Um dos filhos de Theodore Roosevelt uma vez andou de pônei dentro da imponente e simbólica residência.

E o filho de John F. Kennedy, conhecido afetuosamente como "John-John", foi flagrado uma vez numa foto quando brincava debaixo da mesa, aos pés de seu pai, que trabalhava no Salão Oval.

Mas com as pressões modernas e o recente crescimento da mídia, as "primeiras-famílias" começaram a proteger ferozmente seus filhos da invasão de privacidade do público.

Bill e Hillary Clinton eram notoriamente protetores de sua filha única, Chelsea, que se mudou para a Casa Branca aos 12 anos e, às vezes, era alvo de brincadeiras cruéis da imprensa.

Hoje em dia, Chelsea, de 28 anos, se nega a dar entrevistas, apesar de ter reaparecido publicamente no ano passado, quando se dedicou a apoiar a campanha nas primárias de sua mãe, que foi adversária de Obama.

Amy Carter, por seu lado, que adulta virou ativista política, teve uma infância solitária na Casa Branca e atualmente vive sem chamar a atenção com seu marido e filho pequeno.

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