Filha mais velha de Elisabeth Fritzl segue internada em estado grave

Viena, 4 mai (EFE).- A adolescente Kerstin Fritzl, um dos sete filhos que Josef Frtizl teve com sua própria filha, segue internada em estado de saúde grave, enquanto as autoridades tentam desvendar os detalhes de um dos maiores crimes da história da Áustria.

EFE |

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o crime (AFP)

Foi precisamente o delicado estado de saúde de Kertstin e sua entrada na emergência do hospital da cidade de Amstetten, no último dia 19, que tornou público os contínuos abusos sexuais pelos quais o eletricista aposentado Josef Fritzl, de 73 anos, fazia sua filha Elisabeth passar.

Kertstin, que com 19 anos de vida jamais havia visto a luz do sol por ter sido mantida em cativeiro por Fritzl, é a maior dos sete filhos fruto dos abusos sexuais que Elisabteh sofreu nas mãos de seu próprio pai.

A jovem Kertstin se encontra em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva do hospital de Amstetten por causa de uma estranha doença.

Segundo o porta-voz dos centros médicos da Baixa Áustria, Klaus Schwertner, ela segue em estado muito grave e precisa de respiração artificial, embora agora sua situação esteja um pouco mais controlada.

Alguns especialistas em genética austríacos afirmam que a estranha doença de Kertstin pode ter sua origem em problemas causados pelo incesto, o que ainda não foi confirmado pelo hospital.

Kerstin apresentava, além disso, uma grande despigmentação e problemas dentais e musculares, devido à falta de vitamina D pela ausência de luz solar e pelo limitado espaço que tinha disponível no cativeiro que dividia com sua mãe e outros dois irmãos, Stefan, de 18 anos, e Felix, de cinco.

Os filhos de Josef Fritzl e Elisabeth se encontram em um local isolado no hospital, atendidos por uma equipe de profissionais e com vidros escuros nas janelas para os que não estão acostumados com a luz solar.

O edifício é vigiado por forte aparato de segurança, que se intensificou nos últimos dias para evitar a entrada de fotógrafos.

Os jornais austríacos relatam hoje que na noite de sexta-feira um fotógrafo disfarçado de policial foi detido quando tentava entrar no centro médico.

Além disso, os policiais tiveram que deter os fotógrafos que, de cima das árvores, tentavam captar alguma imagem da família Fritzl.

Diante dessa situação, o primeiro passeio ao ar livre das vítimas não pôde acontecer, não só por uma adaptação paulatina à luz pela qual devem passar, mas também pelo assédio da mídia.

O chefe da Polícia Criminal encarregado da investigação do caso, Franz Polzer, confirmou hoje que Elisabeth passou os primeiros nove meses de seu longo seqüestro de 24 anos presa com uma correia que limitava seus movimentos.

Polzer lamentou o vazamento de alguns detalhes da investigação, divulgados ontem pela revista alemã "Der Spiegel", e disse temer que se faça mais revelações.

AFP
Fritzl prendeu sua filha por 24 anos
Josef Fritzl pode enfrentar uma condenação de até 15 anos de prisão por abuso sexual, embora seja possível uma sentença maior caso seja também acusado de "homicídio por omissão de auxílio" na morte de um de seus filhos.

Dos sete filhos que teve com Elisabeth, Fritzl colocou três na porta de sua casa, como se tivessem sido abandonados por sua filha que, na versão que Fritzl contou para sua esposa, tinha fugido para se juntar a uma seita religiosa.

Os outros três seguiram vivendo em cativeiro até serem libertados há poucos dias, e um outro morreu logo depois de nascer e foi queimado por Fritzl em uma caldeira de calefação.

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