Filha de Fujimori aposta em legado do pai para avançar em eleições no Peru

Keiko Fujimori tenta se distanciar de escândalos e diz que governo do pai abriu caminho para estabilidade econômica

iG São Paulo |

A conservadora Keiko Fujimori aposta no polêmico legado do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, para se tornar a primeira mulher eleita presidente do Peru. Durante a campanha, ela defendeu o projeto do ex-líder, que ficou no poder de 1990 a 2000 e cujo governo foi marcado por violações aos direitos humanos e escândalos de corrupção.

Keiko é uma dos três candidatos que brigam para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais deste domingo, ao lado do ex-presidente Alejandro Toledo e do ex-ministro de Economia Pedro Pablo Kuczynski. O líder das pesquisas de intenção de voto é Ollanta Humala (centro-direita), que tem a vaga no segundo turno praticamente garantida.

AFP
Keiko Fujimori carrega a filha durante comício em Lima (07/04)

Keiko mantém um "núcleo duro" de apoio popular estimado em 20% das intenções de voto. De acordo com o Instituto de Opinião Pública (IOP) da Universidade Católica do Peru, um em cada cinco peruanos apoia Keiko ou o fujimorismo.

"Essa é a base de apoio herdada do pai, que fez um governo paternalista, relativamente bom em termos econômicos e nefasto no campo democrático", afirmou à BBC Brasil o analista político peruano Fernando Villáran.

Já Keiko afirma que o governo de Fujimori foi o responsável pelo "fim do terrorismo" e por abrir caminho para a atual estabilidade econômica do país. Hoje com 35 anos, ela participou ativamente do governo de Fujimori e em 2006 foi eleita senadora.

Durante a campanha presidencial, Keiko prometeu mais segurança, redução da pobreza - que afeta pelo menos um terço da população - e estabilidade aos peruanos.

Direitos humanos

Para o sociólogo David Sulmont, da Universidade Católica do Peru, o regresso do "fujimorismo" ao poder seria um "retrocesso democrático" e abriria caminho à polarização e perseguição política. "Muitos personagens que estão ao lado da candidata são pessoas que acompanharam o governo Fujimori até o último momento", afirmou Sulmont à BBC Brasil. "Seria uma derrota moral e política para os setores da sociedade que lutaram contra a ditadura de Fujimori.”

Analistas consideram que entre os projetos políticos de Keiko está a libertação de seu pai, condenado a 25 anos de prisão pela morte de 25 pessoas e por outras violações de direitos humanos durante seu governo. Keiko, porém, disse que não intervirá para libertação do ex-presidente. "A sentença contra meu pai é injusta, mas respeitamos a decisão do Poder Judicial", afirmou.

Durante a campanha, a candidata tentou se desvincular dos escândalos da era Fujimori ao acusar Vladimiro Montesinos - assessor e braço direito do ex-presidente - como o principal responsável pelos crimes de violação de direitos humanos e corrupção. Em 2006, Montesinos foi condenado a 20 anos de prisão, acusado corrupção e assassinatos.

Na última semana de campanha, os adversários de Keiko não deixaram passar em branco a data do autogolpe de Fujimori, em 5 de abril de 1992, quando o ex-presidente dissolveu à força o Congresso Nacional, acusando o Parlamento de bloquear um conjunto de leis econômicas e de combate à guerrilha.

Em seu perfil no Twitter, o também candidato Alejanfro Toledo pediu que outro 5 de abril "nunca mais" aconteça no Peru. "A democracia que defendemos ontem, devemos preservá-la agora", escreveu.

No campo econômico, a filha de Fujimori representa a continuidade das políticas adotadas pelo atual governo de Alan García, com incentivo a investimentos estrangeiros e ao livre comércio.

Se chegarem ao segundo turno, Keiko e Humala disputariam o voto dos setores populares, nos quais se insere a maioria da população peruana.

Com BBC

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