Fiéis de seita russa põem fim a meio ano de espera pelo fim do mundo

Moscou, 16 mai (EFE) - Os membros da seita religiosa que há meio ano esperavam pelo fim do mundo em uma caverna cerca de 600 quilômetros ao sudeste de Moscou colocaram hoje fim ao seu confinamento e voltaram à superfície.

EFE |

O final surpreendeu, já que os nove adeptos, sete mulheres e dois homens, tinham anunciado que sairiam da caverna em meados de junho, para a festividade da Trinidad.

Um funcionário local, Vladimir Provorotov, disse que os membros da seita apocalíptica concordaram em pôr fim a seu confinamento depois que socorristas lhes explicassem que existia o risco de envenenamento pela presença na caverna dos corpos de duas adeptas que morreram há várias semanas.

O vice-governador da região de Penza, Oleg Melnichenko, anunciou que as equipes de resgate exumaram esta madrugada os restos das duas mulheres, que foram transferidos a um necrotério de um hospital local, onde serão realizadas as necropsias.

Os membros da seita apocalíptica afirmam que uma das mulheres morreu devido a um jejum severo e a outra, de uma doença, segundo fontes da Promotoria citadas pela agência "RIA Novosti".

Em novembro do ano passado, 35 membros da seita se confinaram na caverna para esperar a chegada do fim do mundo.

Os adeptos tinha feito uma provisão de alimentos e combustível para viver meses ou mesmo anos, e contavam com um poço para cobrir suas necessidades de água.

Para contar o tempo, os membros da seita utilizavam relógios e um calendário, e também podiam ver a luz do dia através dos canos que tinham instalado para ventilar a caverna.

O líder da seita, Piotr Kuznetsov, um engenheiro de 43 anos que foi diagnosticado com esquizofrenia após se proclamar profeta, foi detido em novembro do ano passado.

Kuznetsov, que há várias semanas tentou se suicidar, poderia ser condenado a três anos de prisão por criar uma organização religiosa por meios violentos, incitar ao ódio religioso e estar de posse de literatura extremista.

No final de março e princípio de abril, 24 sectários, entre eles quatro crianças, saíram para a superfície após alguns desmoronamentos de terra.

Os fanáticos, em sua maioria mulheres procedentes da Belarus e Ucrânia, tinham anunciado sua intenção de abandonar o confinamento em 27 de abril, quando foi celebrada a Páscoa Ortodoxa na Rússia, mas depois desistiram de seu objetivo e anunciaram que sairiam em meados de junho.

"Podemos nos alegrar com que as pessoas que se confinaram na caverna retornam à vida normal", declarou à "Interfax" um secretário de relações públicas do Patriarcado de Moscou da Igreja Ortodoxa Russa.

Segundo a Associação de Centros de Estudo de Religiões e Seitas, na Rússia existem em torno de 80 seitas e cultos com entre 600 mil e 800 mil membros. EFE bsi/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG