Fidel quer que ONU e EUA expliquem presença de tropas no Haiti

Havana, 24 jan (EFE).- O líder cubano Fidel Castro reivindicou hoje à ONU e aos Estados Unidos que expliquem a presença de militares americanos e de outros países no Haiti, após o terremoto que assolou o país caribenho.

EFE |

"No meio da tragédia haitiana, sem que ninguém saiba como e por que, milhares de soldados das unidades de Infantaria da Marinha dos Estados Unidos, tropas aerotransportadas da 82ª Divisão e outras forças militares ocuparam o território do Haiti", afirma o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.

"Pior ainda, nem a Organização das Nações Unidas, nem o Governo dos Estados Unidos ofereceram uma explicação à opinião pública mundial sobre estes movimentos de forças", acrescenta o ex-presidente cubano, em um novo artigo de sua coluna "Reflexões", divulgada pela imprensa oficial cubana.

É a primeira reação de alto nível em Cuba sobre a presença militar americana no Haiti após o terremoto, embora a imprensa da ilha, toda estatal, tenha feito várias críticas a respeito, assim como os Governos da Venezuela, Nicarágua e Bolívia.

Em referência a anúncios do Canadá, Espanha, República Dominicana e outros países, Fidel critica "o envio adicional de soldados e equipes militares" ao Haiti, o que, segundo ele, pode "complicar a cooperação internacional, já complexa".

Segundo o ex-presidente, "é necessário discutir seriamente o tema e atribuir à Organização das Nações Unidas o papel reitor que lhe corresponde neste delicado assunto".

A ONU e os Estados Unidos assinaram na sexta-feira um acordo que normaliza o papel dos 12 mil militares que estão no Haiti para ajudar as vítimas do terremoto.

Fidel, de 83 anos, acrescenta em seu novo artigo, o terceiro sobre o terremoto, que "vários Governos reclamam que seus meios aéreos não puderam aterrissar e transportar os recursos humanos e técnicos enviados ao Haiti".

No entanto, afirma que, até agora, os "modestos meios aéreos e os grandes recursos humanos que Cuba colocou à disposição do povo haitiano não tiveram dificuldade alguma em chegar a seu destino".

"Enviamos médicos e não soldados", conclui o artigo do líder cubano, que deixou a Presidência em julho de 2006.

O terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti ocorreu às 19h53 de Brasília do dia 12 de janeiro e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Segundo um balanço do Ministério do Interior haitiano informado no sábado, já foram recuperados 111.499 cadáveres após a tragédia.

Pelo menos 21 brasileiros morreram na tragédia, sendo 18 militares e três civis, entre eles a médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti. EFE am/an

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