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Fidel pede cuidado com afirmações em Cuba para não fazer jogo do inimigo

Havana, 15 abr (EFE) - O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou que é preciso ter muito cuidado com as afirmações feitas para não fazer o jogo da ideologia inimiga nem fazer concessões vergonhosas, em artigo de reflexões divulgado hoje pela televisão estatal. Decidi escrever esta reflexão após escutar um comentário público divulgado por um meio em massa da revolução que não vou mencionar concretamente. É preciso ter muito cuidado com tudo o que se afirma, para não fazer o jogo da ideologia inimiga, disse o líder cubano, que deixou a Presidência do país em 24 de fevereiro.

EFE |

"Não se pode acusar o período especial do sistema que o imperialismo impôs ao mundo", acrescenta na nota, divulgada no programa "Mesa Redonda", que habitualmente expressa as opiniões do Governo sobre diferentes temas, geralmente relacionados com a situação internacional.

"Medite bem sobre o que se diz, o que se afirma, para não fazer concessões vergonhosas", apontou, sem dar detalhes da declaração a qual critica.

Fidel, de 81 anos, se referiu em seu artigo, intitulado "Não fazer concessões à ideologia inimiga", ao período especial, como se chamou em Cuba a profunda crise econômica na qual a ilha caiu durante os anos 90, após a queda da União Soviética.

"O período especial foi conseqüência inevitável do desaparecimento da URSS, que perdeu a batalha ideológica e nos conduziu a uma etapa de resistência heróica da qual ainda não saímos completamente", disse.

Há meses a imprensa da ilha aborda a situação de deterioração em diferentes setores da economia e da sociedade, como conseqüência dos efeitos dessa crise, tanto em termos de falta de recursos quanto na mudança de mentalidade da geração que cresceu naquele período.

O líder cubano assinalou que essa crise "não inventou a mudança climática, a civilização que depende do consumo dos hidrocarbonetos, o transporte de cada membro da família em automóveis que viajam quase vazios nem a nefasta idéia de transformar os alimentos em combustível".

"Não inventou as guerras mundiais pela divisão do planeta, as bases militares, as armas nucleares e rádios eletrônicas (...) também não inventou a geografia política e as terras que cada nação dispõe, que foram fruto de outros fatores históricos", continuou.

O líder cubano destacou que o "tempo para agir" dos seres humanos "é muito curto" e afirmou que "compreender isto é um grande remédio contra vaidades".

Fidel Castro se recupera de uma grave doença intestinal desde julho de 2006 e não aparece em público desde o dia 26 daquele mês.

EFE jlp/db

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