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Fidel pede a intelectuais que fortaleçam a revolução

Por Rosa Tania Valdés HAVANA (Reuters) - O líder cubano Fidel Castro enviou na quarta-feira uma mensagem a intelectuais em que ataca o consumismo, num momento em que o governo começa a facilitar o acesso da população a bens e serviços.

Reuters |

Em seu texto, Fidel criticou a maneira como as multinacionais acumulam capital vendendo artigos de consumo como sistemas GPS, DVDs, celulares e microondas.

'Tem algum sentido esse tipo de existência que promete o imperialismo?', escreveu Fidel aos participantes do 7o Congresso da União de Escritores e Artistas de Cuba.

'Pode inclusive garantir-se a saúde mental e física com os efeitos não conhecidos ainda de tantas ondas eletrônicas para as quais não evoluiu nem o corpo nem a mente humana?', acrescentou.

A carta foi apresentada um dia depois de seu irmão Raúl, seu sucessor na presidência da ilha, aprovar a venda livre de eletrodomésticos como DVDs e panelas elétricas, uma medida que entusiasmou os cubanos, apesar dos baixos salários que dificultam o acesso a esses produtos.

A venda livre dos eletrodomésticos provocou filas em algumas lojas, embora muitos cubanos tenham se limitado a admirar as vitrines. Os artigos mais vendidos no primeiro dia foram os mais baratos, como panelas de pressão elétricas (de 17 a 54 dólares) e DVDs (de 118 a 162 dólares).

A mensagem de Fidel esteve marcada também por reflexões sobre o papel dos intelectuais da ilha, aos quais conclamou a defender a política oficial.

'Tudo o que fortaleça eticamente a Revolução é bom; tudo o que a debilite é mau', escreveu Fidel, evocando a diretriz emitida para os intelectuais em 1961: 'Dentro da Revolução, tudo; contra a Revolução, nada'.

A imprensa estrangeira não foi convidada ao evento, que reúne cerca de 400 intelectuais até sexta-feira. É a primeira vez que Fidel está ausente ao congresso da entidade, que reúne 8.500 membros. 'Não posso estar com vocês nos debates. Desejo não obstante, como uma modesta contribuição à reunião, expressar algumas inquietudes que me vêm à mente', escreveu.

A entidade de intelectuais cubanos passou dez anos sem realizar um congresso. Um relatório da sessão de trabalho de segunda-feira diz que há 'ajustes necessários' a serem feitos em Cuba, mas que o país precisa de unidade.

'Mas unidade não equivale a homogeneidade de pensamento, e sim a coordenação dos pontos de vista diferentes', diz o relatório divulgado pela imprensa oficial.

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