Fidel nega querer exportar socialismo aos EUA

Havana, 22 abr (EFE).- O líder cubano Fidel Castro afirmou hoje, dirigindo-se ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que não pretende exportar à nação o sistema político de seu país, o único comunista do continente.

EFE |

"Não solicitamos a democracia capitalista na qual o senhor se formou e na qual sinceramente e com todo direito acredita. Não pretendemos exportar nosso sistema político aos Estados Unidos".

disse Fidel em um novo artigo da série "Reflexões", divulgado pela imprensa estatal.

"O índice de mortalidade infantil em Cuba é menor que o dos Estados Unidos; há muito tempo não há analfabetos; as crianças brancas, negras ou mestiças vão todos os dias à escola, dispõem de possibilidades iguais de estudo, incluídos os que requerem educação especial", afirmou o ex-presidente cubano.

"Alcançamos não toda a justiça, mas sim o máximo de justiça possível. Todos os membros da Assembleia Nacional são indicados e escolhidos pelo povo, votam mais de 90% da população com direito a voto", acrescenta.

"No subconsciente, Obama compreende que Cuba tem prestígio pelos serviços dos médicos na região e até dá mais importância que nós mesmos. Talvez sequer tenham informado de que Cuba enviou os médicos não só à América Latina e ao Caribe, mas também a vários países da África, a países asiáticos", ressaltou.

Fidel reitera a crítica a vários artigos dos últimos dias que o embargo comercial que os Estados Unidos aplicam a Cuba desde 1962 "sequer foi mencionado" na declaração final da Cúpula das Américas realizada no fim de semana passado em Trinidad e Tobago.

Segundo o líder cubano, nessa reunião "se percebia uma estratégia arrumada para exaltar as posições mais afins aos interesses dos EUA e mais opostas às políticas partidárias das mudanças sociais, à unidade e à soberania dos povos".

Fidel também falou sobre a polêmica levantada pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que afirmou que, na Cúpula das Américas, houve censura e que alguns governantes foram vítimas de maus-tratos.

"Perguntei e ele me contou que seis dirigentes de alto nível tiveram que esperar na pista (de Port of Spain): Lula; (Stephen) Harper, do Canadá; (Michelle) Bachelet, do Chile; Evo (Morales), da Bolívia; (Felipe) Calderón, do México e ele (Ortega), que era o sexto", conta Fidel.

"O Motivo? Os organizadores, em um ato de adulação, decidiram isso para receber o presidente dos Estados Unidos. Daniel permaneceu as 3 horas dentro do avião da LACSA, ao ser retido no aeroporto sob sol radiante do Trópico". EFE am/db

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