Havana, 12 jan (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro está há quatro semanas sem escrever suas Reflexões, apesar dos eventos registrados no país, como a entrada de Cuba no Grupo do Rio, a visita à ilha de líderes com os quais não se reuniu e o 50º aniversário da Revolução Cubana.

O governante venezuelano, Hugo Chávez, afirmou no domingo que "o Fidel que percorria as ruas e cidades de madrugada (...), com seu uniforme e abraçando as pessoas, não voltará, ficará na lembrança", algo ratificado pelos dois anos e meio nos quais o líder cubano está sem aparecer em público.

O comandante-em-chefe, de 82 anos, não publica desde 15 de dezembro um novo artigo das "Reflexões", que começaram a ser difundidas em março de 2007.

Essa última coluna foi dedicada à comissão que elabora o convênio ambiental global que substituirá o de Kioto. O líder criticou os membros do grupo por acreditarem que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, pode mudar o curso da história.

Nas últimas semanas, e a oito dias de o novo presidente assumir o poder na Casa Branca, Fidel não disse uma palavra sobre o assunto.

Além disso, não dedicou uma linha ao respaldo quase unânime que Cuba recebeu nas três cúpulas que ocorreram em dezembro em Costa do Sauípe, na Bahia, com apelos a Obama para que elimine o embargo que os Estados Unidos mantêm contra a ilha desde 1962.

Ele também não falou sobre a entrada de Cuba no Grupo do Rio, formalizada em Costa do Sauípe.

"A entrada de Cuba no Grupo do Rio é um acontecimento de grandíssimas proporções e havia muitas coisas a dizer nesse momento", afirmou um analista procurado hoje pela Agência Efe em Havana.

Após receber em novembro o presidente da China, Hu Jintao, e o da Rússia, Dmitri Medvedev, em um período de dez dias, não houve notícias de qualquer encontro de Fidel com outros líderes.

Não foram divulgadas reuniões com amigos e admiradores seus, como dois governantes latino-americanos que visitaram Cuba na semana passada: o panamenho Martín Torrijos e o equatoriano Rafael Correa.

O ministro das Relações Exteriores chileno, Alejandro Foxley, não descartou, na semana passada, que a presidente do país, Michelle Bachelet, se reúna com Fidel durante sua viagem a Cuba em fevereiro, mas revelou que isso não estava na agenda devido ao "estado de saúde delicado" do líder.

Em Havana, observadores e analistas destacam que o ex-presidente escreveu apenas uma mensagem de 16 palavras para felicitar os cubanos em 1º de janeiro, na comemoração dos 50 anos da Revolução Cubana que liderou, e que derrubou o ditador Fulgencio Batista em 1956. EFE jlp/db

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