Fidel diz que socialismo foi ineficaz contra indústria do espetáculo dos EUA

Havana, 12 jun (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro diz em uma carta a uma jornalista publicada hoje que o socialismo não conseguiu criar antídotos suficientemente eficazes para enfrentar a influência nociva da indústria do espetáculo dos Estados Unidos.

EFE |

"Nada é mais irritante do que muitas coisas da chamada 'indústria da recreação' desenvolvida pelo imperialismo, na qual jovens e crianças investem infinitas horas", queixa-se Fidel.

A carta é endereçada à jornalista Alina Perera, do jornal oficial "Juventud Rebelde", e responde a um artigo dela sobre o "tráfico de regalias", como as propinas e outras corruptelas freqüentes no país são chamadas.

"A corrupção e o desvio de recursos transformam os que a praticam em defensores do livre mercado, através do qual transformam o fruto de seus roubos em mercadoria", afirma o ex-presidente.

Os corruptos, acrescenta, "não são sequer conscientes do que aconteceria com nosso povo se o país caísse de novo nas mãos do voraz e monstruoso império".

Por outro lado, Fidel alerta sobre os usos que "o império", como chama os EUA, pode fazer dos avanços em várias áreas científicas.

"A ciência se orgulha de seus êxitos. Muitos se alegram, é lógico, da capacidade desta para manipular genes hereditários em prol da saúde, mas poucos se preocupam com os conceitos racistas associados ao poder político imperial e sua idéia fascista da raça superior como dona do mundo atual e futuro", escreve Fidel.

"Hoje não se usa mais o ábaco para fazer cálculos, como ocorria quando eclodiu a primeira revolução socialista há 90 anos", continua a carta. "Junto com as armas nucleares, químicas, biológicas e eletromagnéticas, a ciência desenvolveu os computadores".

Fidel diz que a imprensa dos EUA divulgou há alguns dias a existência de "um grande computador militar capaz de fazer milhões de milhões de cálculos por segundo", ao qual "batizaram com o nome de um pássaro do estado do Novo México", "Roadrunner", e que "seu custo foi de US$ 133 milhões".

O ex-presidente de Cuba confessa que dedica boa parte de seu tempo para ler notícias e cita um programa que explica que "se os 6 bilhões de habitantes do planeta usassem seus computadores pessoais todo o tempo, seriam necessários 46 anos para fazerem os cálculos que o Roadrunner pode fazer em um dia de trabalho".

Fidel prossegue afirmando que "o império não só forma seu pessoal científico, mas despoja abusivamente os outros países do mundo de muitos de suas melhores inteligências. Ninguém pode competir com ele em recursos para pesquisar".

"No mundo atual, os princípios do socialismo deveriam ser aplicados imediatamente. Depois será tarde demais", adverte o líder cubano, que se recupera de uma doença intestinal que o impede de aparecer em público há dois anos.

"Lembro que poucos anos atrás muitos de nossos jornalistas não dispunham sequer de um computador pessoal. Hoje, o Governo dos EUA tenta bloquear o acesso à informação", afirma Fidel.

am/wr/fal

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