Fidel diz que mudança climática pode ser pior que terremoto no Haiti

Havana, 15 jan (EFE).- O líder cubano Fidel Castro disse hoje que o devastador terremoto no Haiti é só uma pálida amostra do que a mudança climática pode causar.

EFE |

"A população mundial não está ameaçada apenas por catástrofes naturais como a do Haiti, que é só uma pálida sombra do que pode acontecer no planeta com a mudança climática", afirma o ex-presidente, em um novo artigo da coluna "Reflexões", divulgada pela imprensa oficial cubana.

Fidel diz que não há dúvida de que todos os países e as instituições internacionais farão "o maior esforço para salvar vidas humanas e aliviar a dor desse sofrido povo".

"Não podemos culpá-los pelo fenômeno natural que ocorreu ali, embora estejamos em desacordo com a política seguida com o Haiti", acrescenta Fidel, que não aparece em público desde 2006.

"O Haiti é produto líquido do colonialismo e do imperialismo, de mais de um século de uso de seus recursos humanos nos trabalhos mais duros, das intervenções militares e da extração de suas riquezas", afirma o primeiro-secretário do governante Partido Comunista de Cuba.

"Este esquecimento histórico não seria tão grave como o fato real de que o Haiti é uma vergonha de nossa época, em um mundo onde prevalecem a exploração e o saque da imensa maioria dos habitantes do planeta", disse.

Fidel diz também que sente "um saudável orgulho pela cooperação que, nestes instantes trágicos, os médicos cubanos e os jovens médicos haitianos formados em Cuba estão prestando a seus irmãos do Haiti".

O artigo lembra que "cerca de 400 médicos e especialistas da saúde prestam cooperação gratuita ao povo haitiano".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do país. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 14 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Diferente do número do Exército, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, aumentou hoje o número de mortos para 17 - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa, funcionário da ONU, e de outro brasileiro que não identificou -, segundo informações da "Agência Brasil". EFE am/an

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