Fidel diz que Israel e EUA chacinam cientistas iranianos

Em artigo escrito após reunião com presidente do Irã, ex-líder cubano diz que Ahmadinejad está 'indiferente às ameaças ianques'

iG São Paulo |

O ex-líder cubano Fidel Castro acusou nesta sexta-feira os Estados Unidos e Israel de realizar uma "chacina seletiva" contra cientistas iranianos e advertiu que se houver uma guerra nuclear não será pelas "ações irrefletidas de Teerã, e sim pela irresponsabilidade congênita do império ianque".

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Reuters
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se reuniu com o ex-líder cubano Fidel Castro em Cuba (12/1/2012)

"Trata-se de uma chacina seletiva de brilhantes cientistas iranianos sistematicamente assassinados", assinalou Fidel em um editorial intitulado A Paz Mundial Está Por Um Fio, publicado pela imprensa oficial cubana, no qual comentou seu encontro com o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad.

Fidel Castro se referiu ao assassinato do cientista iraniano Mostafa Ahmadi Roshan, que trabalhava na usina de enriquecimento de urânio de Natanz. De acordo com a mídia iraniana, os agressores se aproximaram do carro onde ele estava e acoplaram uma bomba à lataria usando um imã.

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O ex-presidente cubano também falou sobre seu colega iraniano, que finalizou no Equador seu giro pela América Latina, pelo qual passou também na Venezuela , Nicarágua e Cuba . Ele afirmou que Ahmadinejad estava "sossegado", "indiferente às ameaças ianques" e "confiante na capacidade de seu povo para enfrentar qualquer agressão".

Apesar de a declaração envolver o tema, Fidel Castro acrescentou que o presidente iraniano quase não falou das questões bélicas. "Tenho certeza que, por parte do Irã, não devemos esperar ações irreflexivas que possam contribuiu para uma guerra. Se esta inevitavelmente ocorrer, será fruto exclusivo da irresponsabilidade congênita do império ianque", sustentou Fidel.

Na última de suas reflexões, Fidel Castro defendeu que "nenhum país grande ou pequeno tenha o direito de possuir armas nucleares" e opina que, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a ONU deveria ter proibido "sem exceção alguma". Mas, os "Estados Unidos, a potência mais rica poderosa, impôs ao resto do mundo essa linha a seguir".

Castro também se referiu, citando reportagens de agências internacionais, ao polêmico vídeo onde soldados americanos urinam sobre cadáveres de talibãs no Afeganistão, o que qualifica de "imundície".

O líder cubano lamentou a postura dos soldados que foram enviados a milhares de quilômetros de sua pátria "para lutar em países que nem sequer ouviram falar como estudantes letivos", onde aprenderam "matar ou morrer para enriquecer empresas multinacionais, fabricantes de armas e políticos inescrupulosos"

Em sua tese, Fidel Castro reafirmou que a segurança do planeta está em perigo não só por um eventual conflito com o Irã, mas pela complexa situação no Oriente Médio e em outros pontos da Ásia Central, como o Paquistão e o Afeganistão, onde existem "problemas sérios problemas" pela "contraditória e absurda política imperial" dos Estados Unidos.

Com a pergunta: "Por acaso exagero quando afirmo que a paz mundial depende de um fio?", Fidel, aos 85 anos, conclui seu artigo.

Com AFP e EFE

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