Fidel diz que EUA fez intriga com morte de bolsista boliviana

HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Castro acusou os Estados Unidos nesta sexta-feira de manipular o caso da morte de uma estudante boliviana que estudava na ilha, cujo cadáver foi repatriado sem alguns órgãos. Beatriz Porco, estudante de medicina de 22 anos, morreu no dia 28 de março, vítima de uma enfermidade cerebrovascular, explicou Fidel em um texto de uma página inteira publicado no Granma, o jornal oficial do Partido Comunista.

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Segundo a versão apresentada pela imprensa, os familiares protestaram porque o cadáver foi repatriado sem o cérebro e outros órgãos.

Fidel Castro disse que, para determinar as causas da morte, foi preciso fazer uma autópsia.

'Era inevitável, neste caso, a extração de um pedaço visceral e o recolhimento de mostras pertinentes', escreveu.

Para Fidel, a morte de Beatriz foi usada pelo 'império' (como ele costuma chamar os Estados Unidos) para maldizer os programas de assistência médica e de alfabetização que Cuba oferece gratuitamente na ilha.

'É bem claro o ocorrido. O império precisa resistir às verdades de Cuba que ele não tolera. Faz intriga e incita os familiares a pedir indenização (...) e lança pelo mundo a repugnante mentira', afirmou.

Em seu artigo, Fidel explica que Cuba tem 1.852 médicos e outros profissionais trabalhando gratuitamente na Bolívia. Além disso, existem 5.291 jovens bolivianos estudando medicina na ilha, sem pagar um centavo.

Segundo o relato do ex-presidente, Beatriz começou a ter enjôos e desmaios no dia 6 de março e, no dia 23, foi declarada a sua 'morte cerebral'. Em todo momento, disse Fidel, a jovem recebeu atendimento médico.

Cuba arcou com os custos da repatriação do cadáver e também com o funeral, disse Fidel.

'É duro escrever sobre isso. Mais duro ainda ler os canais que transmitem pelo mundo a idéia de um cadáver sem alguns órgãos e obrigam Cuba a apresentar explicações', escreveu o presidente cubano.

Fidel, 81 anos, não aparece em público desde que ficou doente, há quase 21 meses. Ele foi substituído em fevereiro pelo irmão Raúl, mas continua visível politicamente com os artigos que publica na imprensa oficial.

(Reportagem de Nelson Acosta)

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