Havana, 12 jun (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro disse hoje que a Operação Peter Pan, pela qual mais de 14 mil crianças foram enviadas da ilha aos Estados Unidos pelas famílias entre 1960 e 1962, foi uma cínica manobra de propaganda que a CIA (agência central de inteligência) não se atreve a revelar.

"'Peter Pan' foi uma manobra de propaganda cínica que teria sido invejada pelo próprio Goebbels, o ministro de propaganda nazista", diz Fidel em novo artigo de "Reflexões", publicado pela imprensa oficial.

O ex-líder, ainda primeiro-secretário do governante Partido Comunista de Cuba, qualifica essa operação de "golpe baixo" e de "um dos mais repugnantes atos de agressão moral realizados" contra o país.

"Cada uma das 14 mil crianças envolvidas no drama seguiram seu traumático caminho", afirmou Fidel, e ressalta que "o tema do pátrio poder é sumamente sensível" e que "nenhuma das crianças precisava ser salva".

As crianças foram enviadas aos Estados Unidos pelas famílias após a vitória da revolução em 1959, no que os cubanos, tanto em Havana quanto em Miami, qualificaram como o maior êxodo infantil do século XX no Ocidente.

O ex-governante, de 82 anos, lembra que a operação começou em 1960, quando seu Governo ainda "não tinha colocado obstáculo algum às saídas do país".

"Ao longo de muitos anos a revolução facilitou a saída de cerca de um milhão de pessoas que, em sua maioria, foram aos Estados Unidos, o país mais rico, que estimula o roubo de cérebros e o despojo de pessoas instruídas e força de trabalho qualificada". EFE arj/db

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