Fidel diz estar preocupado com impacto do Gustav sobre Cuba

HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Castro fez um alerta na segunda-feira, em um editorial, a respeito do impacto do furacão Gustav sobre as reservas de alimentos da ilha caribenha. O Gustav atravessou Cuba no sábado como um furacão da categoria 4. Seus ventos de cerca de 240 quilômetros por hora destruíram casas e provocaram graves danos nas obras de infra-estrutura do país.

Reuters |

Segundo as autoridades cubanas, apesar dos prejuízos materiais, o fenômeno climático não deixou mortos.

'Nada é tão desolador quanto a destruição e os danos que se observam depois de um furacão', escreveu Fidel em um editorial publicado na segunda-feira pelo jornal Granma, do Partido Comunista.

'As reservas reduzem-se ou se esgotam. Hoje, mais do que nunca, o golpe contra o fornecimento de comida é custoso e notável', acrescentou o ex-líder cubano, que durante quase meio século no poder envolveu-se pessoalmente nas operações da defesa civil contra os furacões.

Cuba importa mais de 80 por cento dos alimentos que consome.

Antes do furacão, as autoridades calculavam que o aumento no preço dos produtos alimentícios no mercado internacional as obrigaria a gastar, neste ano, 1 bilhão de dólares a mais para comprar a mesma quantidade de comida.

O Gustav atravessou Cuba em uma zona rural da província de Pinar de Río onde há plantações de arroz.

As autoridades cubanas, porém, não revelaram estimativas a respeito da amplitude dos danos provocados pelo furacão, que na segunda-feira aproximava-se da costa do Estado da Louisiana (EUA), onde três anos atrás o furacão Katrina inundou a cidade de Nova Orleans.

'A tarefa que temos diante de nós exige tempo e experiência', escreveu Fidel.

O ex-presidente, 82, afastou-se do poder depois de adoecer, dois anos atrás, dando lugar a Raúl Castro, irmão dele.

No editorial de segunda-feira, Fidel queixa-se dos meios de comunicação internacionais, que não teriam dado destaque suficiente aos esforços de Cuba para proteger a população civil ameaçada pelo Gustav.

Cuba dispõe de um sistema de retirada maciça de civis que permitiu ao país ser atravessado por furacões sem registrar grandes números de vítimas fatais. Quase 500 mil pessoas foram tiradas de suas casas por causa do Gustav.

(Reportagem de Esteban Israel)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG