Fidel critica Obama por Guantánamo e cumplicidade com Israel

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro acusou o novo chefe de Estado americano, Barack Obama, de compartilhar do genocídio contra os palestinos e de ser abusivo por não devolver a Havana a base naval de Guantánamo.

Redação com EFE |

Em um novo artigo da série "Reflexões" , o líder cubano diz que Obama e seu vice, Joe Biden, decidiram "apoiar decididamente a relação entre Estados Unidos e Israel, e consideram que o compromisso no Oriente Médio deve ser a segurança de Israel".

"Os Estados Unidos nunca se distanciarão de Israel, e seu presidente e vice-presidente acreditam decididamente no direito de Israel a proteger seus cidadãos", escreveu Fidel, citando declarações oficiais dos EUA.

"É a maneira de compartilhar do genocídio contra os palestinos em que nosso amigo Obama caiu", conclui o ex-presidente de Cuba, que em seu artigo anterior havia demonstrado certa confiança no novo ocupante da Casa Branca.

Caráter "abusivo"

Sobre Cuba, o artigo de Fidel, intitulado "Decifrando o pensamento do novo presidente dos Estados Unidos", diz que "não é demasiadamente difícil", já que "o caráter abusivo do poder do império" não mudou.

"Após sua posse, Barack Obama declarou que a devolução do território ocupado pela base naval de Guantánamo a seu legítimo dono deveria ser contrabalançada, primeiramente, com o menor comprometimento ou não da capacidade defensiva dos Estados Unidos", diz o texto do líder cubano.

Obama, segundo Fidel, dizia ainda que, para devolver a base a Cuba, "deveria considerar sob que concessões a parte cubana aceitaria essa solução, o qual equivale à exigência de uma mudança em seu sistema político, um preço contra o qual Cuba lutou durante meio século".

"Manter uma base militar em Cuba contra a vontade de nosso povo viola os mais elementares princípios do direito internacional. É uma faculdade do presidente dos Estados Unidos acatar essa norma sem condição alguma. Não respeitá-la constitui um ato de soberba e um abuso de seu imenso poder contra um pequeno país", acrescenta o artigo.

Fidel afirma ainda que o novo presidente americano está oferecendo "adoçantes similares" à Rússia, à China, à Europa, à América Latina e ao resto do mundo.

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